AFP PHOTO/JIM WATSON
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Em acordo com EUA, China anuncia redução da emissão de carbono

Medida foi anunciada em Washington pelo presidente Xi Jinping, durante sua 1ª visita aos Estados Unidos para encontro com Obama

Reuters

25 Setembro 2015 | 14h10

WASHINGTON - O presidente da China, Xi Jinping, anunciou nesta sexta-feira, 25, que o país vai lançar um sistema  de controle de emissão de carbono em 2017. O chamado "cap and trade" colocará limite sobre as emissões e abre mercado para que as empresas comprem e vendam o direito de produzi-las.

A medida foi anunciada em Washington, ao lado do presidente Barack Obama, durante a primeira das visitas do presidente chinês ao Estado americano. A promessa já era esperada por autoridades americanas e chinesas, que aguardavam que ao menos uma luz fosse lançada à negociação entre os países: a luta global contra as alterações climáticas. 

Os dois presidentes anunciaram uma visão comum para um acordo sobre a mudança climática global, um ponto "brilhante" em meio a tensões sobre suposta espionagem cibernética chinesa, políticas econômicas de Pequim e disputas territoriais com seus vizinhos. 

A declaração feita nesta sexta-feira complementa um acordo conjunto lançado em novembro do ano passado com compromissos dos dois países de ações contra as mudanças climáticas. Na ocasião, os Estados Unidos anunciaram a meta de chegar a 2025 com emissões de gases de efeito estufa de 26% a 28% menores em relação a 2005.

Já a China comprometeu-se a não mais aumentar as emissões a partir de 2030, quando deverá elevar a participação das fontes renováveis a 20% de sua matriz energética. 

A declaração conjunta, apesar de pouco ambiciosa, foi considerada importante para mover a engrenagem das negociações diplomáticas em torno de um acordo global contra o aquecimento do planeta.

Os líderes revelaram um acordo para construir um marco de emissões, elaborado no ano passado, delineando novas medidas para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. 

O status da China de país em desenvolvimento resultou na falta de obrigação em prometer cortes de carbono, uma situação que irritou políticos dos Estados Unidos e de outras nações industrializadas. Para Obama, o acordo com o país fortalece suas possibilidades à frente da conferência sobre as mudanças climáticas que ocorrerá em dezembro, em Paris.

Rivalidade. Mas o acordo sobre o clima estava para ser ofuscado por desencontros maiores que reforçam uma rivalidade crescente entre as duas maiores potências econômicas do mundo. Obama disse que os Estados Unidos continuaram a falar sobre suas diferenças com a China. 

"Nós acreditamos que as nações são mais bem sucedidas e o mundo progride mais quando nossas empresas competem no campo do jogo, quando as disputas são resolvidas pacificamente e quando os direitos humanos universais de todas as pessoas são respeitados", disse ele em um discurso de boas-vindas, com Xi em pé ao seu lado.

Em uma nota mais conciliadora, Obama reiterou que os Estados Unidos congratulam a ascensão de uma China que é "estável, próspera e pacífica". 

Xi, em seguida, falou sobre a necessidade de ser "tolerante" sobre as diferenças entre os países, em "respeito mútuo" e em "atender a outra metade do caminho" a fim de melhorar as relações. Enquanto os dois líderes falaram, dezenas de manifestantes - a favor e contra Xi - agitaram bandeiras, bateram tambores e gritaram palavras de ordem. 

Sexto emissor. Outro país que anunciou mudanças foi a Indonésia, sexto maior emissor global de gases de efeito estufa. O governo informou para as Nações Unidas suas metas de emissões para a Conferência do Clima, que será realizada em dezembro, em Paris. O plano apresentado pelo país prevê 29% de queda das emissões em 2030 em relação à quantidade estimada de emissões, caso o país não fizesse nada para contê-las. 

A previsão é de que, nesse cenário, a Indonésia chegue a 2030 emitindo 2,88 bilhões de toneladas de CO2. Com a proposta de redução, as emissões serão de 2 bilhões de toneladas. Com apoio internacional, a Indonésia se compromete com redução ainda maior, chegando a 2030 com 1,7 bilhão de toneladas.


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