Em 20 anos, desastres climáticos mataram 500 mil pessoas

Foram 15 mil eventos extremos em todo o mundo, causando prejuízos de US$ 3 bi, aponta relatório

Giovana Girardi, Enviada especial / Paris

03 Dezembro 2015 | 18h49

PARIS - Entre 1995 e 2014, 15 mil eventos climáticos extremos mataram mais de mais de meio milhão de pessoas e causaram prejuízos financeiros de quase US$ 3 bilhões. Essas são as principais conclusões da nova edição do relatório Global Climate Risk, feito pela organização Germanwatch, e lançado nesta quinta-feira, 3, durante a 21ª Conferência do Clima da ONU, em Paris.

Nesses 20 anos, que compreendem todo o período de negociações climáticas (em 1995 ocorreu a primeira conferência do clima da ONU), eventos como tempestades, inundações, deslizamentos de terra e ondas de calor tiveram impactos mais rigorosos especialmente nos países mais pobres. Num ranking que foi feito dos mais afetados, Honduras, Mianmar e Haiti lideraram.

“Esses padrões de precipitações extremas são o que as pessoas e os países provavelmente enfrentarão em um clima mais quente”, disse Sönke Kreft, principal autor do estudo. “E os impactos são injustos. Nove em cada dez países afetados em 20 anos são nações com renda média baixa."

Quando considerado somente o ano passado, porém, houve uma mudança de foco para a Europa. As nações mais afetadas foram Sérvia, Afeganistão e Bósnia e Herzegovina. O relatório aponta também que alguns países tem sido afetados repetidamente por eventos climáticos extremos. O Paquistão, por exemplo, foi atingido durante cinco anos consecutivos, enquanto as Filipinas estiveram entre os dez países mais impactados sete vezes na última década. 

Os autores alertam que para um futuro ainda mais quente, locais que já são afetados por esses eventos podem ficar ainda mais vulneráveis. "Nossos resultados são um lembrete de que a cúpula do clima em Paris precisa alcançar a ambição climática e solidariedade mundial necessárias para salvaguardar a população vulnerável em todo o mundo."

Limite de 1,5°C. O relatório foi divulgado no dia em que o grupo dos países mais vulneráveis fazia pressão para que o acordo de Paris trouxesse um limite de aumento de temperatura mais ousado. Para eles, o planeta não pode aquecer até 2°C, na comparação com os níveis pré-Revolução Industrial. O limite seguro para quem já sob risco de desaparecer, como os países-ilha, são 1,5°C.

O rascunho do texto que está sendo analisado durante a COP21 considera uma opção de conter o aumento da temperatura a abaixo de 1,5°C, mas reuniões ao longo do dia frearam essa possibilidade. O Fórum dos Países Vulneráveis, que na segunda-feira tinham feito uma solicitação para que contivesse no acordo uma meta de descarbonização da economia até 2050 para ajudar nesse processo, lançaram uma nota criticando fortemente a decisão.

“Não há nenhuma dúvida para os países vulneráveis que já estão perdendo 2,5% dos seus PIBs e 50 mil vidas por ano com a temperatura menos de 1°C mais quente que isso compromete a nossa sobrevivência. As partes que se interpõem no caminho de recomendar uma boa decisão com base na informação disponível será lembrado pelas crianças de hoje pelo fracasso em Paris”, declararam.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.