Economia circular ameniza impacto ambiental dos resíduos
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Economia circular ameniza impacto ambiental dos resíduos

Iniciativas do setor privado colaboram com a gestão correta dos plásticos

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2022 | 00h01

Por serem um composto durável e resistente, os plásticos em geral facilitam muito o cotidiano da vida das pessoas. O que não significa que esses produtos, depois de usados, não mereçam uma atenção especial. Assim como qualquer outro tipo de resíduo. Muitos deles permanecem séculos no meio ambiente. 

“Como qualquer outro material, os plásticos, quando descartados ou depositados em local inadequado, causam poluição ambiental e sua degradação contamina o meio ambiente, principalmente o solo e a água”, explica Carlos Silva Filho, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). 

O Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, ficando atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. A situação se agrava quando se olha a destinação desses resíduos. Segundo dados do WWF Brasil, de 11,3 milhões de toneladas de plástico produzidas em 2019 no País, apenas 145 mil foram recicladas. Ou seja, 1,3%.

De todo o lixo produzido no Brasil, o plástico representa 17%, de acordo com o WWF. Carlos reforça que o plástico em si não deve ser encarado como um vilão, muito pelo contrário. O grande problema desses resíduos, assim como ocorre com outros materiais, é muitas vezes uma falta de gestão correta. Por isso, é que missões como a da Boomera, startup de impacto controlada pela Ambipar, são bem-vindas.

“Percebemos que existe uma necessidade do setor privado de ajudar nesse processo desenvolvendo modelos de negócios que consigam dar uma solução economicamente correta [para a gestão de resíduos]”, diz Rafael Tello, diretor de Sustentabilidade do Grupo Ambipar. 

Segundo o executivo, uma das formas de reduzir o consumo de plástico é a mudança de mentalidade no momento da fabricação de embalagens. “Na hora que uma indústria estiver projetando sua embalagem plástica, é importante pensar na forma mais fácil para que ela seja reciclada no descarte, minimizando o resíduo”, explica.

Em relação aos materiais já fabricados, a Boomera promove iniciativas que incentivam a reutilização. Um dos casos foi o desenvolvimento de um processo de reciclagem de resíduos coletados no litoral de São Paulo. Todo o lixo retirado do mar foi transformado em embalagens de produtos de limpeza para uma empresa do setor. 

Outro impacto dessa iniciativa, explica Rafael, é ajudar na redução das emissões de gases poluentes e, portanto, ajudando no combate ao aquecimento global. “Uma fatia significativa da economia de baixo carbono pode ser alcançada por meio da economia circular. Quando estendemos a vida útil dos produtos, diminuímos a necessidade de consumir tanta energia e combustíveis fósseis.”

Agenda social

A Boomera, em seu dia a dia, busca desenvolver também uma alta capacidade de coleta de materiais, em parceria com mais de 500 co­operativas. O projeto envolve ainda a promoção da capacitação de catadores para que eles possam gerir melhor os seus processos.

A economia circular e a redução de resíduos, segundo Rafael, são temas que também geram impactos sociais. “Compreendemos que a consciência da população em relação a essas agendas ambientais é fundamental para conseguirmos ter um necessário senso de urgência e pressão”, diz o executivo da Ambipar.

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“Na hora que uma indústria estiver projetando sua embalagem plástica, é importante pensar na forma mais fácil para que ela seja reciclada no descarte, minimizando o resíduo”
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Rafael Tello, Diretor de Sustentabilidade do Grupo Ambipar

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