É preciso pôr um preço nos serviços prestados pela biodiversidade, diz ONU

Os danos ao capital natural, incluindo florestas, vão de US$ 2 bilhões a US$ 4,5 bilhões ao ano

REUTERS, REUTERS

20 Outubro 2010 | 14h03

Governos e empresas precisam começar a computar as perdas causadas pela deterioração da natureza em seus orçamentos e PIBs, diz um relatório patrocinado pelas Nações Unidas e divulgado nesta quarta-feira, 20. Os danos ao capital natural, incluindo florestas, mangues e pradarias vai de US$ 2 bilhões a US$ 4,5 bilhões ao ano, mas esse prejuízo não é formalmente contabilizado.

 

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Essa "invisibilidade" precisa mudar, para que medidas sejam tomadas para salvar ecossistemas que são fontes vitais de alimento, água e renda, disse o líder do estudo Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade (conhecido pela sigla em inglês, TEEB), Pavan Sukhdev.

 

"Não podemos tratar isso de fora leviana", disse ele em entrevista coletiva NPS bastidores da reunião da ONU sobre biodiversidade realizada em Nagoya, Japão, onde enviados de cerca de 200 países buscam definir metas de preservação ambiental para 2020. A conferência prossegue até o dia 29.

 

"Infelizmente, a ausência de uma lente econômica para refletir essas realidades tem significado que tratamos esses assuntos de forma negligente, que eles não são centrais nas discussões de política pública ou de negócios".

 

Sukhdev apresentou a parte final de diversos relatório TEEB que analisam o valor da natureza, incluindo florestas que purificam o ar, abelhas que polinizam plantações e recifes de coral que abrigam milhões de espécies.

 

Por exemplo, reduzir o desflorestamento pela metade até 2030 cortaria o dano causado pelo aquecimento global em mais de US$ 3,7 trilhões, enquanto que as abelhas da Suíça garantem uma produção comercial agrícola avaliada em US$ 213 milhões.

 

Economias emergentes como Índia e Brasil apoiaram o esforço da ONU, dizendo que usarão o TEEB como guia. "No nível nacional, estamos discutindo a implementação de um estudo TEEB de nosso capital natural, e o setor provado brasileiro também planeja ir na direção de uma abordagem prática e sustentável", disse Bráulio Dias, secretário do Ministério do Meio Ambiente, em nota.

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