REUTERS/Toby Melville
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Duas de cada 3 pessoas sofrerão com falta de de água em 2050, diz FAO

Escassez será causada pelo uso excessivo para produzir alimentos, segundo documento apresentado no 7º Fórum Mundial da Água

O Estado de S. Paulo

14 Abril 2015 | 15h29

DAEGU - A escassez de água afetará dois terços da população mundial em 2050 por causa do uso excessivo de recursos hídricos para a produção de alimentos, alertou nesta terça-feira, 14, a Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Esta é uma das conclusões do relatório "Para um futuro com segurança hídrica e alimentícia", elaborado pela FAO e apresentado nesta terça, no segundo dia do 7º Fórum Mundial da Água (FMA), realizado em Daegu (Coreia do Sul) até sexta-feira.

Atualmente, 40% da população do planeta sofre com a escassez de água, uma proporção que aumentará até dois terços de população para 2050, diz o documento.

Este aumento existirá pelo "sobreconsumo de água para a produção de alimentos e a agricultura", segundo a FAO, que ressalta que atualmente há várias zonas do planeta onde é utilizada mais água subterrânea do que é feita a reposição de forma natural.


Em particular, o relatório aponta "grandes zonas da Ásia meridional e oriental, Oriente Médio, África do Norte e América do Norte e Central" e acrescenta que em algumas regiões "a agricultura intensiva, o desenvolvimento industrial e o crescimento urbano são responsáveis pela contaminação das fontes de água".

Por isso, a FAO pede aos governos de todo o mundo que atuem "para assegurar que a produção agrícola, criação de gado e a pesca sejam realizadas de forma sustentável e contemplem ao mesmo tempo a salvaguarda dos recursos hídricos".

"A segurança alimentar e hídrica estão estreitamente unidas", disse ao apresentar o relatório Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial de Água, que também defendeu uma agricultura centrada na sustentabilidade mais do que na rentabilidade imediata.

"Achamos que desenvolvendo os enfoques locais e com os investimentos adequados, os líderes mundiais podem assegurar que haverá suficiente volume, qualidade e acesso à água para garantir a segurança alimentar em 2050 e além", afirmou Braga.

Segundo o relatório, em 2050 será necessário 60% a mais de alimentos para o planeta, enquanto a agricultura continuará sendo o maior consumidor de água em nível mundial.

Com o aumento da urbanização, em 2050 grande parte da população mundial seguirá ganhando a vida com a agricultura, enquanto o setor verá como o volume de água disponível terá se reduzido por causa da concorrência das cidades e da indústria.

Neste cenário, os agricultores e sobretudo os pequenos camponeses terão que encontrar novas vias "por meio da tecnologia e das práticas de gestão" para aumentar sua produção com uma disponibilidade limitada de terra e de água, acrescenta o documento.

O FMA, um evento trienal que está na sétima edição, é organizado pelo Conselho Mundial de Água, uma plataforma internacional fundada em 1996 para dar resposta aos problemas vinculados a este recurso em nível mundial./EFE

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