Documentarista de "Crude" é obrigado a entregar copiões de filme à Chevron

Decisão da corte de Manhattan revolta diretor, que diz que vai entrar com apelação

The Guardian

07 Maio 2010 | 20h35

Uma decisão da corte americana ordenou que um documentarista entregasse os copiões de um filme sobre poluição na Amazônia para a gigante do petróleo Chevron. Esta foi a última cartada de um processo multibilionário, informa matéria do jornal britânico The Guardian.

 

Judge Lewis Kaplan, juiz da corte do distrito de Manhattan, decidiu ontem a favor da requisição da Chevron de assistir 600 horas de filmagens de Crude: The Real Price of Oil – indicado a vários prêmios e vencedor do Festival de Cinema Ambiental de Yale e do Festival de Cinema Independente de Boston no ano passado.

 

O filme de 105 minutos é simpático às vítimas de uma catástrofe ambiental que ocorreu no Equador por conta da produção de petróleo, em pleno coração da Amazônia, mas a Chevron espera que trechos não utilizados na montagem final ajudem a amenizar danos potencias da ordem de $ 27,3 bilhões.

 

Joseph Berlinger, diretor do documentário, disse que entregar o material bruto seria uma violação do sigilo jornalístico e contribuiria para minar o processo que foi aberto pelo Equador contra a empresa, um dos maiores da história. Os ambientalistas temem que a Chevron consiga munição para se livrar do processo e os produtores do filme temem que a integridade das fontes seja comprometida.

 

Mas o juiz sublinhou que a permitir à empresa o acesso às imagens brutas feitas no Equador e nos EUA durante três anos é uma atitude a serviço da transparência e da justiça. O material inclui entrevistas com ativistas como Sting e sua mulher, Trudie Styler.

 

“Rever as cenas brutas irá contribuir para que vejamos não somente que a justiça vem sendo feita, mas que ela está sendo feita de forma aparente”, diz a decisão judicial. “O tribunal não manifesta nenhuma posição em relação à possibilidade de as preocupações de ambos os lados serem sustentadas por provas de influência política imprópria, corrupção ou outra forma de conduta inadequada afetando os processos no Equador”.

 

Crude, lançado ano passado, é focado na batalha legal de 17 anos entre a Chevorn e 30 mil equatorianos que alegam que suas terras, rios, bens, animais e seus próprios corpos foram envenenados durante décadas de imprudência na perfuração de poços de petróleo na floresta tropical.

 

Os reclamantes dizem que a Texaco – que foi comprada pela Chevron em 2001 – descarregou nos rios da região 68 bilhões de litros de águas residuais entre 1972 e 1990, causando uma epidemia de doenças, como leucemia, por exemplo. Alguns chamam o incidente de Chernobyl Amazônico.

 

A Chevron dia que testes científicos mostram que a água é segura, que as doenças têm outras causas, que a Texaco limpou o local e a poluição e que a culpa pelo problema foi da companhia estatal, a Petroequador.

 

Berlinger disse que recebeu apoio de centenas de outros documentaristas que temem um impacto na produção de documentários se a proteção das fontes não for garantida. O diretor disse que iria apelar contra a decisão judicial.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.