Steve Winter/Panthera
Steve Winter/Panthera

Do gorila ao leopardo-das-neves

Maior conservacionista da atualidade, George Schaller estudou animais em mais de 20 países

Fernanda Fava, especial para O Estado

03 Junho 2010 | 21h07

Considerado o maior conservacionista da atualidade, o americano George Schaller já esteve em mais de 20 países para estudar animais. Em vários casos foi pioneiro nas pesquisas: de gorilas no Congo, de tigres na Índia, de pandas na China e de onças-pintadas no Pantanal brasileiro.

 

Filho de alemão e americana, Schaller nasceu em 1933, em Berlim. Aos 14 anos, mudou-se para os Estados Unidos. Estudou Biologia e Antropologia na Universidade do Alasca, onde, por conta das dificuldades econômicas da família, precisava se revezar entre os livros e o emprego na cafeteria. “Felizmente, lá você não podia se formar sem antes ter feito estudo de campo”, contou, em entrevista concedida pelo telefone, de Pequim.

 

A primeira oportunidade de trabalho de campo foi estudar aves migratórias no Ártico. Na volta, Schaller concluiu o PhD na Universidade de Wisconsin e ganhou o mundo. Bastava surgir um convite e lá ia ele com a mulher, Kay, e dois filhos pequenos para os lugares mais remotos do planeta. “Tive muita sorte porque Kay sempre gostou de sair a campo.” Ainda que isso implicasse dormir em tendas no meio do mato, em áreas habitadas por gorilas, tigres e onças selvagens.

 

Schaller viaja muito, mas escolheu se fixar no planalto tibetano na China. Uma de suas prioridades são projetos de proteção a guepardos no Irã. Tipicamente africana, a espécie praticamente sumiu da Ásia, para onde tinha migrado e o Irã é um dos últimos redutos desses tigres. “O problema é que, por causa do conflito político com os Estados Unidos, não consigo entrar no país.”

 

Embora seu trabalho seja abrangente, Schaller tem predileção por grandes felinos. Além de tigres, onças e guepardos, estudou leões na Tanzânia e o leopardo-das-neves no Himalaia. “Os felinos são muito grandes e bonitos e, para estudá-los, você também precisa saber sobre suas presas. Acaba tendo uma visão completa do ecossistema.”

 

Tema de um documentário da National Geographic recém-lançado nos EUA, Schaller orgulha-se de ter formado conservacionistas como a chinesa Lu Zhi e o brasileiro Peter Crawshaw Junior (veja perfis dos dois nas páginas seguintes). “Você vai embora e o mais satisfatório é ver que deixou algo para trás, um time motivado de especialistas locais”, diz. “O trabalho de conservação é emocional. Você precisa colocar o coração na missão, porque tem de passar meses no meio do mato, enfrentando climas extremos.”

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