Divórcio multiplica domicílios e causa impacto ambiental

Estudo americano diz que domicílios com muitas pessoas consomem recursos de modo mais eficiente

Associated Press,

04 de dezembro de 2007 | 13h45

Cientistas descobriram mais um aspecto da vida moderna que é prejudicial ao meio ambiente: o divórcio, já que cada família desfeita gera dois domicílios. "Um lar de casados na verdade usa seus recursos de modo mais eficiente que um lar de divorciado", disse o ecólogo  Jianguo Liu, da Universidade Estadual de Michigan, cuja análise do impacto ambiental da separação conjugal aparece na edição desta semana da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).   Mais domicílios significam maior uso do solo, de água e energia, três recursos essenciais, explicou Liu.   Domicílios com menos moradores são menos eficientes que locais onde mais pessoas partilham recursos, disse ele. Uma casa gasta a mesma quantia de ar-condicionado e calefação, não importa se lá moram duas ou quatro pessoas. Uma geladeira consome a mesma potência, não importa se há uma pessoa em casa ou muitas. A dois apartamentos corresponderão duas máquinas de lavar pratos.   Liu, que pesquisa a relação entre ecologia e as ciências sociais, disse que seus resultados causam surpresa num primeiro momento, mas em seguida são vistos como simples. "Muita coisa fica fácil quando o estudo já está feito", declarou. Um gasto extra de água ou eletricidade não parece muita coisa, mas os pequenos excessos se somam. Os EUA, por exemplo, tinham 16,5 milhões de domicílios chefiados por uma pessoa divorciada em 2005, contra 60 milhões de domicílios chefiados por uma pessoa casada.   Por pessoa, domicílios de divorciados gastam mais ao mês em eletricidade que um domicílio de casados, já que muitas pessoas podem assistir à mesma televisão, ouvir o mesmo rádio, ler sob a mesma lâmpada.   Além dos Estados Unidos, Liu analisou 11 outros países, incluindo Brasil, Grécia, México e África do Sul, entre 1998 e 2002. No total, se os domicílios de divorciados tivessem o mesmo número médio de habitantes que os de casados, poderia haver menos um milhão de domicílios consumindo recursos naturais.   Liu destacou que não está condenando o divórcio, nem defendendo o matrimônio: casais que vivem juntos sem formalizar o laço também estão ajudando o ambiente, e repúblicas de estudantes e comunidades hippies fazem ainda mais bem à Terra.

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