Disputas ambientais matam uma pessoa por semana no mundo, diz ONG

Pelo menos uma pessoa é morta por semana no mundo em alguma disputa ambiental envolvendo terras, recursos naturais e florestas, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira.

MARIA GOLOVNINA, REUTERS

19 Junho 2012 | 10h58

A entidade de direitos humanos Global Witness avaliou a disputa por recursos naturais e disse que pelo menos 106 pessoas foram mortas só em 2011, quase o dobro da cifra de 2009, em atentados e confrontos em países ricos em recursos, como Brasil, Indonésia e Peru.

Ao todo, 711 pessoas foram mortas entre 2002 e 2011 nesse tipo de disputa, ou mais de uma por semana, afirmou o grupo, acrescentando que raramente há punições por esses crimes.

"É um paradoxo bem conhecido que muitos dos países mais pobres do mundo abrigam os recursos que movimentam a economia global", disse o relatório. "Agora, com a intensificação da corrida para garantir o acesso a tais recursos, são os pobres e os ativistas que cada vez mais se encontram na linha de fogo."

Acordos para a exploração dos recursos naturais costumam ser decididos em segredo entre autoridades, elites políticas e empresas, disse o relatório, deixando sem direitos ou palavra as pessoas que viviam das terras ou florestas afetadas.

Quem tenta protestar muitas vezes é punido com violência, expulsão ou morte.

"Assassinatos ocorreram de várias formas -- inclusive nos confrontos entre comunidades e forças de segurança dos Estados, desaparecimentos seguidos por mortes confirmadas, mortes em custódia, ou assassinatos dirigidos individuais ou múltiplos", disse o relatório.

Os países com maior número de assassinatos relacionados à disputa por recursos são Brasil, Peru, Colômbia e Filipinas, onde houve mais de um homicídio por semana, segundo a ONG.

"A Global Witness acredita que essas tendências sejam sintomáticas da competição cada vez mais acirrada por recursos, e da brutalidade e injustiça decorrentes."

"As terras e florestas são usadas para diversos propósitos, incluindo a agricultura intensiva, mineração, plantações, operações madeireiras, expansão urbana e projetos hidrelétricos", acrescentou o texto.

"Se esse problema não for tratado urgentemente, deve piorar, particularmente porque podemos esperar mais investimentos em países com Estado de direito e direitos fundiários fracos", afirmou a Global Witness. "Isso irá significar mais conflitos violentos por causa de projetos de investimentos e disputas pela posse fundiária, com consequências potencialmente trágicas."

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