Diretor da Rio₊20 quer que mundo pense como se não tivesse fronteiras

'Temos de pensar no mundo como um só país', diz o francês Brice Laloude

Giovana Girardi, enviada especial a Manaus,

22 Março 2012 | 23h38

O diretor-executivo da Rio+20, o francês Brice Laloude, clamou ontem para que o mundo pense como se não tivesse fronteiras durante a conferência que ocorre em junho no Rio. “Se o mundo fosse um só país, aceitaria as desigualdades que temos no mundo? Temos de pensar no mundo como um só país, nas populações como um só povo”, disse ontem, no Fórum Mundial de Sustentabilidade, realizado em Manaus.

 

“O que decidimos em 92, as lindas convenções da biodiversidade e do clima, a linda agenda 21, o que aconteceu, o que estamos fazendo? Quais são os obstáculos, como podemos fazer melhor? Não só cada país, mas juntos, podemos fazer de modo melhor, mais eficiente, do que as coisas que fazemos separadamente. É o que está em jogo no Rio”, afirmou.

 

Para ele, além da declaração oficial que deve encerrar a conferência, é preciso dar atenção também para um compêndio de compromissos que os países devem assumir voluntariamente. E também ir além de pensar coisas como energia, água, comida separadamente. “Está tudo relacionado. Então, podemos pensar em objetivos de desenvolvimento sustentável?”

 

Sobre a proposta de se criar uma agência ambiental no âmbito da ONU com mais força que o Pnuma tem hoje, Laloude disse que o mundo de fato precisa disso, de uma agência que tome as decisões pensando em todas as questões ambientais conjuntamente. Mas tentou colocar panos quentes em um ponto que está separando os países.

 

Enquanto algumas nações, em especial na Europa, defendem um novo órgão ambiental, outros, como o Brasil, sugerem que seja criado um Conselho de Desenvolvimento Sustentável. Laloude diz que há espaço para os dois. “Não é uma questão de opor ambiente e desenvolvimento. Mas dos dois juntos.”

 

No mesmo evento, Gro Brundtland, ex-primeira ministra da Noruega, e uma das criadoras do termo desenvolvimento sustentável, há 25 anos, disse esperar que a Rio+20 atenda expectativas não alcançadas anteriormente. "O mundo precisa superar as dificuldades de negociação em bloco durante a Rio+20. A agenda é muito mais ampla e os países estão investindo em negociações mais próximas, olho a olho. O Brasil tem a responsabilidade pela Rio+20, mas vamos ajudar o Rio a identificar os problemas ambientais e sociais que são relevantes para todo o mundo.”

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