Diretor britânico faz comédia sobre mudanças climáticas

Ele acredita que o gênero pode atrair um público variado e fazê-lo pensar no aquecimento global

Nina Chestney, Reuters

02 Fevereiro 2010 | 15h15

Em meio ao catastrofismo e à melancolia que se seguiram ao fracasso da Conferência do Clima da ONU, em dezembro passado em Copenhague, é preciso coragem para fazer uma comédia sobre mudança climática.

 

É exatamente o que o diretor britânico David L. Williams fez no filme “Beyond the Pole” (ainda sem tradução no Brasil), que será lançado na Inglaterra no dia 12 de fevereiro no Instituto Londrino de Artes Contemporâneas.

 

O filme conta a aventura de dois amigos que decidem completar a primeira expedição vegetariana, orgânica e neutra em emissões de carbono ao Pólo Norte.

 

Os exploradores diletantes Mark (Stephen Mangan) e Brian (Rhys Thomas) embarcam na viagem com a esperança de alcançar um recorde mundial e de chamar atenção para a qeustão do aquecimento global. O problema é que os dois são totalmente despreparados para os desafios da viagem.

 

No caminho, eles combatem ursos polares vingativos, encontram uma expedição rival de homossexuais noruegueses e lutam para lidar com a deterioração do estado psicológico de Mark.

 

Com a falência da COP-15 ainda fresca na mente dos cidadãos do mundo todo, a questão das mudanças climáticas não poderia ser motivo para riso, certo?

 

O diretor David Williams discorda. Ele insiste que a comédia é necessária para atrair um público variado ao filme e fazer esse público pensar no aquecimento global.

 

“A rota da comédia tem mais pegada, mais tração. Se você tem um ponto de vista e se lança na empreitada de apresentá-lo, leva a platéia com você”, disse Williams.

 

Com os comediantes ingleses Stephen Mangan e Rhys Thomas nos papéis principais, auxiliados por Mark Benton, Helen Baxendale o ator sueco Alexander Skarsgard, o filme deve ter um apelo até mais amplo do que o esperado pelo diretor.

 

 “Não estamos bancando o médico e dizendo que você deve fazer isso e aquilo pelo mundo. Estamos tentando alcançar uma audiência que não é inerentemente ‘verde’, na expectativa de fazer uma conexão emocional”, explica o diretor.

 

 Realidade desagradável

 

O elemento cômico em “Beyond the Pole” fica negro ao culminar em cenas indescritíveis, que nos lembram da dura realidade ambiental que serve de pano de fundo para a aventura das personagens.

 

Com um orçamento apertado de “algumas centenas de milhares de libras”, os atores e a produção enfrentaram seus próprios desafios nas locações na Groenlândia e na Islândia.

 

Temperaturas de 20ºC negativos, ursos polares famintos, caçadores armados, lagos de gelo quebradiço, poucas horas de claridade por dia e clima inconstante (que vai de um dia ensolarado a uma nevasca em dez minutos) tornaram as filmagens bem difíceis.

 

Em um clima tão adverso, a produção de "Beyond The Pole" tentou alcançar sua meta de ser totalmente neutra em emissões de carbono.

 

 “O filme não é muito verde, nem a distribuição. Fizemos o possível. Eu não acredito particularmente em compensação, mas fizemos tudo que pudemos para tornar esse filme o menos poluente possível”, disse Williams.

 

Os recursos para as filmagens chegaram mais rápido do que o esperado quando o diretor percebeu que algumas locações “derreteriam” em dois meses.

 

 “Pelos caminhos tradicionais e ortodoxos, o dinheiro não chegaria a tempo, então corremos para investidores privados e os fundos foram liberados durante a pré-produção”.

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