Marcos de Paula/AE
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Dilma quer baixar preço de hotéis no Rio

Presidente solicitou ação de ministros para evitar cobrança de valores abusivos durante a Rio+20; Câmara desiste de enviar delegação para evento

Lisandra Paraguassu, Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2012 | 03h11

BRASÍLIA - A pouco mais de um mês da Rio+20, o governo federal, deputados e senadores descobriram que o preço dos hotéis no Rio durante o evento se transformou em um problema. Após a decisão do Parlamento Europeu de cancelar a vinda de sua delegação por causa dos altos custos de hospedagem, a Câmara dos Deputados desistiu de enviar uma delegação oficial pela mesma razão.

Nesta quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff pediu aos ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e do Turismo, Gastão Vieira, que tentem achar uma solução. Na Câmara dos Deputados, a Comissão de Turismo quer convocar o setor hoteleiro a dar explicações. No Senado, a Comissão de Relações Exteriores aprovou uma resolução em que pede ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que intervenha no assunto.

A decisão do Parlamento Europeu - tomada após a constatação de que a conta poderia chegar a 100 mil euros, dez vezes mais do que o orçamento previsto - trouxe o assunto à tona. Outras delegações também diminuíram o número de participantes por conta dos preços, até 60% maiores do que o normal em uma cidade que já cobra caro pelas vagas em seus hotéis.

Ao ficar sabendo do cancelamento dos deputados europeus, a presidente teria ficado irritada com o "abuso" e pedido à ministra da Casa Civil que se reunisse hoje com o ministro do Turismo para ver o que é possível fazer.

Foram chamados representantes dos Ministérios da Fazenda, Justiça, Turismo, Receita Federal, Embratur e do setor hoteleiro do Rio. A avaliação do governo é que os preços dos hotéis estão abusivos. Além disso, considera irregular a exigência dos pacotes de cobrar uma estadia de pelo menos sete dias. "Não há compreensão por parte do setor da importância do evento para o País", diz um auxiliar de Dilma.

Alerta. Em meio aos protestos, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), anunciou que uma delegação da Casa não iria mais à Rio+20. "A diária do hotel que estava sendo oferecida à Câmara é de algo em torno de R$ 1,6 mil por dia. Isso a Câmara não vai pagar", disse Maia. "Vamos ver o que é possível fazer para reverter isso. Podemos tomar medidas contra atitudes que representem abuso ou crime contra a economia popular."

Apesar de reconhecer que o preço dos hotéis é uma questão de mercado, o fato de países terem anunciado a redução no número de delegados acendeu o sinal vermelho. "É um assunto que nos preocupa. Queremos que a Rio+20 seja inclusiva. Os preços estão muito elevados", disse o ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, ao sair do Senado.

Patriota fez questão de destacar que, apesar dos preços, a participação na conferência será alta. São esperados 116 chefes de Estado ou de governo. Porém, para eles, o custo da hospedagem é bancado pelo Brasil e pelas Nações Unidas. O restante das delegações paga do próprio bolso ou tem a sua despesa custeada pela organização da qual faz parte.

O requerimento aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado pedindo que a prefeitura do Rio intervenha no setor para baixar os preços pode ser inútil. A grande maioria dos hotéis do Rio já está lotada para o período da Rio+20. Em uma busca na internet é possível encontrar poucas vagas, raramente com diária inferior a R$ 1 mil.

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