Greenpeace
Greenpeace

Dilma pede ao Itamaraty solução para caso da ativista presa na Rússia

'Solicitei ao ministro Figueiredo contato de alto nível com o governo russo', disse a presidente pelo Twitter

Tânia Monteiro e Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2013 | 14h25

Atualizado às 21h

Após apelos de ambientalistas, a presidente Dilma Rousseff assumiu uma posição nesta quinta no embate diplomático em torno da prisão, na Rússia, da bióloga gaúcha Ana Paula Maciel. No Twitter, disse que pediu ao Ministério das Relações Exteriores “encontrar solução” para a situação da brasileira presa – com 27 outros ativistas do Greenpeace e dois jornalistas desde 19 de setembro – por participar de protesto contra a extração de petróleo no Ártico.

“Solicitei ao ministro (das Relações Exteriores, Luiz Alberto) Figueiredo contato de alto nível com o governo russo para encontrar solução para Ana Paula”, postou a presidente. 

Na quarta foi protocolada na Presidência da República uma carta da mãe de Ana Paula, Rosângela Maciel, que pediu à Dilma sua intervenção no caso. Ela chamou a presidente de “uma mulher que também já foi injustamente para a cadeia, por causas que não eram apenas suas”. Para em seguida apelar: “Peço humildemente que use seu peso político, de chefe de nação, para que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, possa se sensibilizar e interceder por Ana, que há anos trabalha pacificamente por um mundo melhor.”

O grupo de 30 pessoas foi acusado de pirataria pela promotoria da Rússia e pode pegar até 15 anos de prisão. Eles estavam a bordo do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, e foram presos após protesto em uma plataforma de petróleo no mar de Pécora, no Oceano Ártico. 

De acordo com o Greenpeace, eles faziam um protesto pacífico, em águas internacionais, quando foram abordados por um helicóptero da guarda costeira. No dia anterior, com botes infláveis, alguns ativistas tinham se aproximado da plataforma da empresa Gazprom e dois deles, tentado escalar a lateral da estrutura para estender um banner contra a atividade.

Drogas. O posicionamento de Dilma ocorreu um dia depois de o Comitê Investigativo russo afirmar que está tentando identificar quais ativistas estavam nos botes porque eles teriam “ameaçado a vida e a segurança de um oficial”. O órgão também trouxe, pela primeira vez, a informação de que foram encontradas drogas no barco. E que, desse modo, outras acusações estariam sendo consideradas.

“Nós podemos somente presumir que as autoridades russas se referem às medicações obrigatórias que carregamos a bordo, o que é estipulado pela própria legislação marítima”, disse a ONG, por meio de nota. Sergio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, afirmou achar estranho que essa acusação tenha aparecido quase um mês depois de o barco ter sido apreendido. “Não deveria nem ser considerado.” Disse também que as normas do Greenpeace são estritas contra drogas em suas embarcações.

Para Leitão, o posicionamento de Dilma traz “uma luz” para a solução do problema. “Ao determinar o contato de alto nível, cria um novo trilho nas negociações que podem levar a uma ação mais relevante.” Pode ser marcada para a semana que vem a audiência que decidirá se Ana Paula poderá responder ao processo em liberdade.

Mais conteúdo sobre:
Greenpeace Rússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.