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Dias secos fazem número de queimadas subir 91% no Estado

Segundo Inpe, São Paulo registrou 592 focos neste ano, ante 310 no ano passado; quantidade também é maior do que em 2014

José Maria Tomazela e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2016 | 05h00

SOROCABA - Uma sucessão de dias quentes e sem chuvas já causou um aumento de 91% no número de queimadas, neste ano, no Estado de São Paulo, em comparação com igual período de 2015. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até este sábado, 23, foram registrados 592 focos, ante 310 no ano passado. No ano, o número de incêndios é maior que em 2014, quando São Paulo teve a maior seca dos últimos 90 anos. No mesmo período daquele ano, foram registrados 350 focos.

No início da noite deste domingo, 24, os satélites do Inpe registravam 23 focos ativos em todo o Estado. Um grande incêndio atingia, no início da noite, áreas de mato e capoeiras no Jardim Abaeté, zona norte de Sorocaba. As chamas se acercavam de um condomínio residencial. Equipes dos bombeiros davam combate às chamas.

A fumaça também cobria os bairros próximos. No Retiro São João, algumas famílias deixaram as casas, levando os animais de estimação. Durante o dia todo, os bombeiros atenderam a mais de dez chamados por fogo em mato. À tarde, foram registrados dois focos de incêndio em margens de rodovias.

Na Rodovia Castelo Branco, por exemplo, o fogo consumiu área de pastagens próximo do km95, em Porto Feliz. Na Raposo Tavares, o fogo atingiu um eucaliptal em Mairinque, cidade localizada a cerca de 70 quilômetros da capital.

Na sexta-feira, um incêndio de grandes proporções destruiu mais de 100 hectares da Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade, em Rio Claro, que fica a cerca de 180 quilômetros de São Paulo. Na ocasião, o fogo se alastrou para o câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e foi necessário o uso de máquinas pesadas e helicóptero para combater as chamas.

De acordo com a Polícia Civil, atear fogo em mato é crime previsto no artigo 250 do Código Penal e sujeita o autor à pena de 3 a 6 anos de prisão, além de multa. O infrator também pode ser autuado com base nas leis de proteção do meio ambiente.

Baixa umidade. A baixa unidade relativa do ar tem favorecido a propagação dos incêndios no interior de São Paulo. As regiões de Ribeirão Preto, com 29%, e de Presidente Prudente, com 26%, estavam em estado de atenção no fim de semana – quando o índice fica entre 20% e 30%. Em Campinas, a umidade relativa do ar era de 31% neste domingo.

A baixa umidade do ar também costuma afetar a saúde, desencadeando principalmente problemas respiratórios. Para reduzir os danos é preciso aumentar o consumo de água. 

Queda de temperatura na capital. A chegada de uma massa de ar frio deve derrubar as temperaturas na capital paulista a partir da próxima quinta-feira, 28, segundo a Climatempo. Nesta segunda-feira, já deve chover na região sul paulista.

De acordo com o meteorologista Leandro Bellato, da Climatempo, as chuvas passarão a ser intermitentes a partir de quinta-feira, quando os dias começarão a ficar mais frios. “As máximas vão ficar abaixo dos 25°C e as mínimas, perto dos 18 °C.”

Segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas ainda estarão altas na capital nesta segunda-feira e a umidade do ar ficará baixa à tarde. A mínima deve ser de 21°C e a máxima, de 30°C. No Estado, apenas as regiões do Vale do Ribeira e de Presidente Prudente terão maior nebulosidade e pancadas de chuva isoladas à tarde.

O paulistano deve ser beneficiado com as chuvas que chegarão na capital a partir de quinta. “Por enquanto, não vai esfriar tanto, mas a temperatura vai baixar um pouco. Além disso, com a chuva, a umidade deve subir e a qualidade do ar vai melhorar”, diz Bellato. 

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