Diante de ideia de contratar sistema privado, Pontes defende Inpe para medir desmatamento

Pontes foi chamado à Comissão de Meio Ambiente do Senado para falar sobre a exoneração do ex-diretor do Inpe, Ricardo Galvão; ele disse que Ricardo Salles teria concordado em melhorar o sistema que já existe

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2019 | 16h55

BRASÍLIA - O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (Mctic), Marcos Pontes, defendeu nesta terça-feira, 17, que o monitoramento do desmatamento no Brasil siga sob comando do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). A declaração foi uma resposta a estudos do governo para contratar uma tecnologia privada, o Planet, para medir esses dados.

Pontes disse que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, concordou em manter em uso os sistemas do Inpe. “Chegamos em acordo sobre melhorar o sistema que já existe. Se tiver mais satélites para aderir ao monitoramento do Inpe, ótimo. Agora, o sistema do Inpe é nosso, tem demonstrado seu resultado durante muito tempo. Ele (Salles) aparentemente concordou comigo em relação a essa parte”, disse Pontes.

O Planet é um sistema de mapeamento em alta resolução que pertence a uma companhia dos Estados Unidos. A empresa brasileira Santiago & Cintra, do interior de São Paulo, fornece o sistema localmente.

O monitoramento do desmate motivou crise no governo após o presidente Jair Bolsonaro chamar de mentirosos os dados divulgados pelo Inpe. Os questionamentos levaram à exoneração do ex-diretor do instituto Ricardo Galvão, no começo de agosto. A demissão motivou críticas de cientistas do Brasil e do exterior ao governo.

O ministro Salles tem dito que pretende usar um sistema privado desde o começo do ano. Em julho, ele usou imagens da tecnologia privada para contrapor captações feitas pelo Deter - sistema de alertas de desmate do Inpe - e exibir o que seriam imprecisões nas medições. O sistema Planet é o mesmo que começa a rodar no Estado do Mato Grosso e já foi testado no Pará, como mostrou o Estado.

O ministro do Mctic foi chamado à Comissão de Meio Ambiente do Senado nesta terça para responder sobre a exoneração do ex-diretor do Inpe Ricardo Galvão, além de tratar sobre o futuro do Instituto. Pontes repetiu que a saída aconteceu por “quebra de confiança” em vez de questionamentos sobre os dados do Inpe.“Durante período de crise, em que dados foram questionados, ele (Galvão) deveria ter conversado comigo, mas foi diretamente com o presidente (Bolsonaro)”, disse Pontes. 

O coronel da reserva da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião ocupa interinamente o comando do Inpe. O novo diretor efetivo só será escolhido por uma lista tríplice, montada por uma comissão.

O ministro participaria de audiência na Câmara na última quinta-feira, 12, também sobre a demissão de Galvão, mas não pode comparecer por problemas de saúde. Na mesma data, Pontes deu entrada e passou por exames no Hospital das Forças Armadas (HFA).  Ele apresentava tontura, náuseas, vômitos e sudorese. Recebeu alta no mesmo dia e recomendação de repouso por 48 horas.

Pontes disse que Inpe deve voltar a entregar dados sobre desmatamento ao Ibama cinco dias antes da divulgação pública, no site do Instituto, como era feito até 2018, segundo o ministro. "O Ibama, acho, não fez ainda nenhuma solicitação. Quando fizer, a gente passa a fornecer primeiro para eles", disse.

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