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Devastação da Mata Atlântica é maior em MG e PI, aponta estudo

Dados são do Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, divulgado nesta quarta-feira pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Inpe

Luisa Pinheiro e Priscila Mengue, Especiais para O Estado

11 Novembro 2015 | 06h00

SÃO PAULO - Jequitinhonha (MG) é o município brasileiro que mais devastou a Mata Atlântica de 2000 a 2014, período em que foram retirados 8,70 mil hectares de floresta. Águas Vermelhas, também no Vale do Jequitinhonha, é o segundo colocado, com 6,5 mil hectares. Os dados são do Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, divulgado nesta quarta-feira, 11, pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

A ONG ainda lança o site e o aplicativo Aqui Tem Mata (aquitemmata.org.br/), que disponibiliza informações sobre o desmatamento do bioma em todos os municípios brasileiros. De acordo com o levantamento, restam 12,5% da vegetação original da Mata Atlântica no Brasil e 13,9% em São Paulo. 

O desmatamento em Minas Gerais teve uma redução de 34% em comparação com o levantamento do ano anterior, embora quatro cidades mineiras ainda estejam na lista das que mais sofreram desmatamento. Para o coordenador técnico do Inpe, Flávio Jorge Ponzoni, essa diminuição é resultado da moratória declarada pelo governo estadual em 2013, que suspendeu a concessão de autorizações para a supressão de vegetação nativa. 

“O Ministério Público estadual conseguiu embargar projetos de desflorestamento para a produção de aço. Essas indústrias precisam da madeira e plantam eucalipto para fazer o carvão. Quando os preços do mercado internacional estão vantajosos, é um incentivo para o desmatamento”, explica Ponzoni.

Entre 2013 e 2014, o campeão nacional de desmatamento foi Eliseu Martins (PI) que teve 4,28 mil hectares desmatados. Na região, entidades reivindicam a criação do Parque Nacional da Serra Vermelha para proteger a área ameaçada. Em segundo e terceiro lugar no ranking nacional, estão Baianópolis (BA), com 1,52 mil hectares, e Brejolândia (BA), com 687. 

Segundo a diretora da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, os principais motivos para o desmatamento são a produção de carvão vegetal, o plantio de eucalipto e o cultivo de soja. Em Estados como Piauí, Bahia e Minas Gerais, a maior incidência do desmatamento, disse Hirota, são nas áreas próximas ao cerrado, bioma que também sofre com a devastação. 

Em São Paulo, o município em que a Mata Atlântica foi mais atingida entre 2013 e 2014 é Itapira, com 16 hectares. Segundo a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente do município, o desmatamento ocorre na zona rural, que estaria sob competência do Ibama e do Incra. Entre 2000 e 2014, a localidade foi a nona mais atingida pelo desmatamento no Estado, ficando atrás de Eldorado (com 1,05 hectare) e outras sete cidades do Vale do Ribeira. A reportagem procurou as prefeituras de Eldorado (SP), Jequitinhonha (MG) e Eliseu Maria (PI), mas não conseguiu contato. 

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