Deter desmatamento é missão enorme, diz ministro alemão

Em visita ao Brasil, Sigmar Gabriel considerou número de ações contra o desmatamento 'impressionantes'

Lígia Formenti, do Estado de São Paulo

28 de abril de 2008 | 19h06

O ministro do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha, Sigmar Gabriel, afirmou ontem ser "uma missão enorme" a do governo brasileiro tentar deter o desmatamento diante da alta de preços de ração animal. "É uma tarefa difícil", afirmou Gabriel, no primeiro dia de sua viagem oficial ao Brasil. Até sexta-feira, quando termina sua missão, o ministro deverá cumprir uma agenda com três pontos básicos: desmatamento, biocombustíveis e preparativos para 9ª Conferência das Partes da Convenção (COP-9) sobre Diversidade Biológica, marcada para maio, em Bonn. Gabriel deverá fazer uma visita ao Pará, onde poderá ter uma mostra sobre o desmatamento no País. O ministro não quis fazer comentários sobre a retomada do ritmo de derrubada das florestas no Brasil. Questionado sobre o assunto, ele disse que, em seu primeiro dia de viagem, seria precipitado fazer qualquer tipo de avaliação. Mas mostrou preocupação em relação à pressão sobre as florestas - que, em sua avaliação, está intimamente ligada ao aumento de preços dos produtos agrícolas usados para ração animal. "Esses preços favorecem agricultores, mas têm um efeito prejudicial: o incentivo à devastação das florestas." Na manhã de ontem, Gabriel encontrou-se com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Ao colega, Marina mostrou números sobre operações para conter o desmatamento, prisões feitas e processos abertos. O ministro alemão considerou os números "impressionantes", sem, porém, deixar de reforçar a necessidade de se tentar conter tal efeito. "Essa é uma missão enorme." A Alemanha assume a presidência da COP-9 em maio, no lugar do Brasil que desde 2006 exerce o posto. No encontro com Marina, Gabriel pediu apoio para uma missão que considera essencial: avançar a negociação sobre o regime internacional sobre acesso e repartição de benefícios (ABS), um mecanismo para incentivar países a proteger seus recursos genéticos. "Somente no momento em que países de beneficiarem economicamentoe do uso desses recursos é que países terão incentivo para preservá-los. É a forma mais eficaz de se garantir proteção das espécies", afirmou Gabriel. Na avaliação de Marina, esse recurso seria essencial para conter o desmatamento. E, novamente, ela defendeu a criação de um fundo voluntário de incentivo para países que reduzirem a emissão de CO2. "É tão difícil para países ricos mudarem sua matriz energética para fontes renováveis quanto para países em desenvolvimento mudar sua forma de produção", justificou. Para que a tarefa dos países em desenvolvimento seja mais fácil, completou, é essencial a transferência de tecnologia, auxílio para que os países mudem sua forma de produção. A viagem de Gabriel é também uma missão preparatória para a visita da chanceler Angela Merkel ao Brasil, em maio. No encontro, será assinado um acordo na área energética entre os dois países.  A Alemanha é o segundo maior doador para projetos na área ambiental. No Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), que financia projetos na Amazônia e na Mata Atlântica, nos últimos doze anos, a Alemanha é a principal doadora. O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que, de 1995 para cá, o Brasil recebeu do PPG7 US$ 280 milhões.

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