Desmate na Amazônia tem tendência de alta, diz ONG

Desmate na Amazônia tem tendência de alta, diz ONG

Melhora da economia pode ter contribuído para aumento do desmate

Afra Balazina, O Estado de S. Paulo

09 Abril 2010 | 22h47

O Amazonas, um dos Estados mais preservados da região amazônica, já não é mais imune ao desmatamento. Dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostram que de agosto de 2009 a fevereiro de 2010 o Amazonas teve 90 quilômetros quadrados de desmate – quase a metade do que o Mato Grosso desflorestou no período. Mas o Estado líder no ranking de desmatamento no acumulado desses meses foi o Pará, com 442 quilômetros quadrados.

 

O que preocupa no caso do Amazonas, segundo o pesquisador do Imazon Adalberto Veríssimo, é o aumento de 53% na taxa de desmatamento ao comparar com agosto de 2008 a fevereiro de 2009, quando foram registrados 59 quilômetros quadrados de floresta destruída.

 

Rondônia também chamou a atenção negativamente, com um aumento do índice de desmate de 86% (passou de 55 quilômetros quadrados para 101).

O Imazon faz um monitoramento independente do desflorestamento na Amazônia. Ao somar as informações de todos os Estados, notou-se uma tendência de “ligeira alta” no desmate. Foram 924 quilômetros no acumulado, contra 749 no período anterior – um aumento de 23%.

 

“O Brasil fez um esforço grande de reduzir o desmatamento e essa retomada preocupa. É preciso ficar alerta”, disse Veríssimo. Ele não considera, entretanto, que o governo afrouxou a fiscalização na área. “Sendo justo com o governo, eu acho que o controle continua. E é importante que seja mantido e intensificado nas áreas mais problemáticas”, afirmou.

 

Há vários fatores que podem contribuir para o aumento do desmate. Um deles é a melhora da economia. De acordo com Veríssimo, o inverno foi pouco chuvoso na região e o verão deve ser bastante seco – o que também facilita as queimadas. Outro obstáculo é o fato de 2010 ser um ano de eleições.

 

“Ainda há muita especulação de terra em áreas remotas, em região de fronteira e de indefinição fundiária”, disse o pesquisador. Segundo ele, a área da BR-163 é um dos principais alvos.

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