Desmate na Amazônia equivale a metade da cidade de São Paulo

Área devastada deve ser ainda maior, já que as nuvens do período de chuvas complicam o registro dos satélites

Agência Estado e Agência Brasil,

03 Março 2009 | 11h28

Entre novembro e janeiro foram desmatados 754 km² na Amazônia, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área equivale a metade da cidade de São Paulo. E a devastação pode ter sido ainda maior, pois a alta cobertura de nuvens na região dificultou a visualização dos satélites. Os dados divulgados nesta terça-feira, 3, foram obtidos pelo sistema Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter).    Veja também: Minc anuncia queda de desmatamento na Amazônia Diário da Amazônia - janeiro de 2008 A evolução do desmatamento na Amazônia    Foram devastados 355 km² em novembro, 177 km² em dezembro e 222 km² em janeiro, por corte raso ou degradação progressiva. No trimestre anterior, foram desmatados 216 km² em outubro, 302 km² em setembro e 446 km² em agosto, somando 964 km² no período.   Na comparação com o mesmo trimestre (novembro-janeiro) do período anterior (2007/2008), quando o Inpe registrou 2.527 km² de desmatamento, houve queda de 70,2%, como adiantou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. No entanto, esse período havia sido atípico, o que levou inclusive ao desencadeamento da Operação Arco de Fogo, da Polícia Federal e do Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).   O Inpe explicou que, entre novembro e abril, os dados sobre desflorestamento são divulgados a cada trimestre, uma vez que o intervalo de tempo é marcado pela intensidade de nuvens na região, o que prejudica a observação de satélite. Normalmente, os números do Deter são divulgados mensalmente.   Entre novembro e janeiro, o Pará foi o Estado que teve mais áreas desmatadas, onde foram registrados 319 km². Já no Mato Grosso, nos três meses, o desmate atingiu 272 km². Na segunda-feira, 2, Minc, destacou que as derrubadas na Amazônia no trimestre de novembro a janeiro teve uma "queda significativa", mas não divulgou as informações completas. Minc deve comentar os últimos dados sobre desmatamento às 14 horas desta terça.   Mato Grosso e Pará   No acumulado do trimestre, Mato Grosso manteve a liderança entre os estados desmatadores, com 318,7 quilômetros quadrados de floresta derrubados (42% do total registrado). O Pará aparece em seguida, com 272 quilômetros quadrados (36%), seguido pelo Maranhão, onde 88,4 quilômetros quadrados foram desmatados (11%). Rondônia, que sempre aparece entre os estados que mais desmatam, derrubou 58,12 quilômetros quadrados de floresta, 7% do total verificado no período. De acordo com o Inpe, em Mato Grosso e no Pará a cobertura de nuvens no período foi menor, o que possibilitou monitoramento mais qualificado do que em outros estados. A cobertura de nuvens na região chegou a impedir a visualização de 86% da Amazônia Legal no período. "Alguns estados como Acre, Amazonas, Amapá e Roraima praticamente não foram monitorados devido à alta proporção de cobertura de nuvens no período. Dessa forma, os resultados obtidos nessa avaliação são mais representativos para os estados de Mato Grosso e Pará", aponta o relatório.   Texto ampliado às 11h47 para acréscimo de informações.

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