André Penner/AP
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Desmate e redução de pastagens ganham força entre 2010 e 2012

Levantamento divulgado pelo IBGE mostra que a maior parte desses territórios foi substituída por áreas agrícolas no País

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 10h00

Atualizada às 22h52

RIO - O desflorestamento e a redução de pastagens naturais em todo o País ganharam força no período de 2010 a 2012. A primeira edição do levantamento mostra que havia 3,2 milhões de quilômetros quadrados de vegetação florestal no País em 2012, uma queda de 1,8% ante 2010. Nesse período, mais de dois terços do desflorestamento ocorreu por expansão agrícola, enquanto uma fatia menor (28%) foi substituída por pastagem plantada.

No caso das pastagens, em apenas dois anos, assistiu-se a uma queda de 7,8% na extensão de terra coberta por esse tipo de vegetação, mesma intensidade da diminuição que antes levou uma década (2000 a 2010) para acontecer. A maior parte desses territórios foi substituída por áreas agrícolas.

As pastagens plantadas também cresceram de forma exponencial no período, segundo dados do estudo "Mudanças na Cobertura e Uso da Terra 2000-2010-2012", divulgado nesta sexta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa é um primeiro passo na direção de uma metodologia que mensure os valores perdidos ou conquistados com as mudanças no uso das terras brasileiras. No futuro, a intenção do IBGE é incluir esses cálculos na estimativa do Produto Interno Bruto (PIB), soma de toda a renda gerada no País em determinado período.

Quando isso acontecer, será uma espécie de "conta ambiental" dentro das Contas Nacionais. A taxa de crescimento da economia pode ficar menor caso haja desflorestamento ou poluição do meio ambiente, por exemplo. Por outro lado, a adoção de medidas sustentáveis de desenvolvimento pode até beneficiar o País.

"A preocupação e a ação em cima desse tema são intensas, e o IBGE tem vontade de sair na frente neste quesito (de medir a conta ambiental)", afirmou o coordenador de Recursos Naturais do órgão, David Montero.

Por enquanto, o instituto trabalha apenas com as métricas de territórios, sem valores estimados do impacto das transformações na economia. Mas essa base é considerada fundamental para tocar adiante o projeto. A partir deste ano, o IBGE divulgará o estudo sobre cobertura e uso da terra periodicamente, a cada dois anos.

As pastagens naturais, que em grosso modo representam o cerrado, também acabaram perdendo espaço para a agricultura, mostra o IBGE. Em 2012, havia 1,765 milhão de quilômetros quadrados de pastagens naturais, contra 1,915 milhão dois anos antes. "Tanto em 2010 quanto em 2012, a principal dinâmica que ocorreu foi a expansão agrícola. Existem uma série de incentivos que foram tomados que favoreceram a expansão agrícola", explicou a gerente de Uso da Terra do IBGE, Eloisa Domingues.

"Entre 2010 e 2012, a queda em pastagem natural foi quatro vezes maior", notou o supervisor de Uso da Terra do órgão, Mauricio Zacharias.

Além do aumento da área agrícola, as áreas artificiais (incluem metrópoles, cidades, rodovias e redes de energia, além de aldeias indígenas e áreas de mineração) também ganharam espaço de forma mais acelerada entre 2010 e 2012. O avanço foi de 2,5% nesse período (na primeira década dos anos 2000, a expansão foi de 5,8%).

"Temos um processo de urbanização cada vez maior em todo o País, a população urbana cresceu exponencialmente. Portanto, é possível afirmar que essa expansão se deu principalmente pelas áreas urbanas", disse Eloisa.

Com o aumento da atividade de pecuária no País, houve também a expansão da área de pastagens plantadas, que somava 955,87 mil quilômetros quadrados em 2012. O número é 11,1% maior do que em 2010. O ritmo de avanço também foi mais intenso do que na primeira década dos anos 2000, quando a área de pastagens plantadas (artificiais) levou dez anos para crescer 38,8%.

O IBGE, porém, não analisou os impactos ambientais de tais mudanças. "A partir dessas informações, identificamos mudanças, mas não a razão desse processo. Isso tem que ser ainda pesquisado e deve ser o foco dos gestores", afirmou a gerente do instituto.

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