Desmatamento na Amazônia diminui 32% em setembro

O desmatamento na Floresta Amazônica cai desde julho passado, quando foram perdidos 836 km2

João Domingos, da Agência Estado,

04 Novembro 2009 | 15h24

 O desmatamento da Amazônia em setembro atingiu 400 quilômetros quadrados, uma queda de 31,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando a derrubada da floresta chegou a 587 km2. O governo comemorou a redução, principalmente porque falta pouco mais de um mês da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) e o Brasil ainda não tem metas de redução na emissão dos gases de efeito estufa.

 

Veja a série histórica do desmatamento na Amazônia

 

"É o menor desmatamento verificado em setembro desde o início do monitoramento pelo Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, que começou a operar por satélite em 2004)", disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. A comemoração teve ainda outro motivo: em setembro a visibilidade foi das melhores, permitindo maior precisão, visto que menos de 18% do território da Amazônia Legal estava coberto por nuvens. 

 

De janeiro até setembro deste ano a redução no desmatamento foi de 54%, com 2.855 km2 de florestas derrubadas, contra 6.262 km2 no mesmo período, no ano passado. 

 

Por Estado, o levantamento feito pelo Inpe mostra que, em Mato Grosso, a queda no índice de desmatamento foi de 38%; em Rondônia, de 22%; no Amazonas, 33%; no Maranhão, 86%. O Estado do Pará apresentou aumento do índice de desmatamento de 4,7%. "O Pará é sempre um problema", disse Minc. "É grande, tem estradas, tem muita pressão política. Sempre que fazemos alguma coisa lá uma Câmara de Vereadores nos presenteia com um voto de persona non grata", disse. 

 

No Acre, o índice verificado em setembro foi de nove quilômetros quadrados desmatados ante oito registrados em setembro do ano passado. Em Roraima, foram desmatados no mesmo mês sete quilômetros quadrados, ante zero de 2008. Mas esse dado pode não ser o mais correto, visto que na mesma época, no ano passado, Roraima estava coberto por nuvens.  Em Tocantins, o desmatamento foi insignificante nos dois anos; passou de dois quilômetros quadrados em setembro de 2008 para um  quilômetro quadrado no mesmo mês deste ano. E no Amapá foi mantido o desmatamento zero. Mas este Estado esteve com 66% de seu território coberto por nuvens em setembro.

 

Para Minc, a queda no desmatamento deverá se manter até o fim do ano. Ele atribuiu o índice decrescente ao fato de todos os órgãos de repressão do governo estarem atuando em conjunto na Amazônia: Forças Armadas, Força Nacional de Segurança, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Polícia Federal e Ibama.

 

"Quando me dirijo a uma serraria já sei qual é o crime que ela cometeu. Já trabalhamos com informações colhidas preliminarmente", disse o delegado da PF Alcir Amaral Teixeira, que chefia a Operação Arco de Fogo, iniciada há um ano e meio nos municípios amazônicos que mais desmatam.

 

De janeiro a outubro de 2009, a ação conjunta das forças de repressão resultou no embargo de 340 mil hectares de áreas onde estavam sendo realizadas ações ilegais e de 233 serrarias; apreensão de 233 barcos, 399 caminhões, 61 tratores, 82 mil metros cúbicos de tora de madeira, 63 mil metros cúbicos de madeira serrada e 172 mil quilos de pescado. Foram aplicadas multas que totalizam R$ 1,489 bilhão.

 

(Atualizado às 18h47)

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