Desmatamento na Amazônia caiu 75% em junho, aponta Imazon

Em junho de 2008, haviam sido desmatados 612 km², pouco menos que o equivalente à área de Salvador (BA)

Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

31 Julho 2009 | 17h57

O desmatamento na Amazônia teve queda de 75% em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. A devastação caiu de 612 quilômetros quadrados para 150 quilômetros quadrados. Também houve redução de 74% da região desmatada entre agosto de 2008 a junho de 2009, em relação aos mesmos meses do período anterior. O dado foi divulgado pela organização não-governamental Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

 

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As imagens de satélite analisadas mostraram que o Pará continua sendo o Estado que mais contribui para a destruição da floresta - 47% do total registrado entre agosto de 2008 e junho de 2009, e 81% da área desmatada em junho pertencem ao Estado. Por outro lado, o Mato Grosso reduziu em 82% a área destruída, na comparação entre os 11 meses acumulados - caiu de 2.074 quilômetros quadrados para 368 quilômetros quadrados.

 

"O Pará é o problema. E a situação é mais grave nas regiões próximas às estradas Belém-Brasília, Cuiabá-Santarém e Transamazônica. Acredito, inclusive, que não tenha havido a redução de desmatamento apontada no Pará (70% nos 11 meses acumulados) porque grande parte do Estado estava encoberto por nuvens no período analisado", afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

 

Para combater o desmatamento na região, o ministro lembrou que triplicou o efetivo do Ibama na região e está iniciando ações como a regularização fundiária e conclusão do zoneamento econômico ecológico.

 

A situação é diferente, por exemplo, para o Mato Grosso. O satélite conseguiu captar a totalidade do Estado, que estava sem nuvens. "A queda do desmatamento no Mato Grosso pode ser amplamente comemorada", afirmou Minc.

 

"Unidades virtuais"

 

Segundo o Imazon, em junho as terras privadas, de posse ou devolutas responderam por 73% da área desmatada, seguidas das Unidades de Conservação (UCs), com 21%. Assentamentos de reforma agrária (5%) e terras indígenas (1%) não tiveram grande participação.

 

Segundo Minc, a maioria das UCs não saiu do papel. Ele lembrou que para licenciar a BR 163 (Cuiabá-Santarém) o Ministério do Meio Ambiente exigiu a criação de um distrito florestal. "Mas as unidades de conservação ficaram no papel, são unidades virtuais. Veio a estrada e outros ocuparam as terras antes da implantação das unidades de conservação", afirmou. Minc ressaltou que tem 9 milhões de euros doados pela União Europeia para criar essas unidades.

 

Ele afirmou que, a partir da experiência com a BR 163, o ministério mudou as exigências para o licenciamento prévio da BR 319, cujo projeto prevê a ligação rodoviária entre Porto Velho e Manaus. "A Unidade de Conservação terá de ser implantada primeiro, com demarcação, guaritas, vigias, sede, regularização fundiária. A estrada vai passar pela região mais preservada da Amazônia. Seria melhor que fosse ferrovia ou hidrovia. Mas se é para ser estrada, que seja verde".

 

As informações do Imazon são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que tem por imagens dos satélites CBERS e Landsat, as mesmas utilizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz as estimativas oficiais. As metodologias, no entanto, são diferentes. "Não comentamos metodologia. Mas os dados do Inpe, que serão divulgados na próxima semana, também apontam para forte redução do desmatamento em junho, mais de 50%", afirmou Minc.

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