REUTERS/Ricardo Moraes
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Desmatamento na Amazônia cai em março, mas região registra pior trimestre da série histórica

Dados são do Inpe, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia; governo oficializou novas metas de corte de emissão de gases de efeito estufa nesta semana

André Borges, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2022 | 11h09

BRASÍLIA - Os alertas de desmatamento na região amazônica chegaram a 312 quilômetros quadrados entre os dias 1º e 31 de março, uma redução de 15% em relação ao mesmo mês do ano passado. Se considerado o desmatamento total registrado no primeiro trimestre deste ano, porém, são 941 km² de devastação entre janeiro e março, recorde na série histórica iniciada em 2016, com aumento de 64% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados divulgados nesta sexta-feira, 8, são do sistema de alertas Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Esses dados são a principal referência do País para medir os índices de desmatamento no Brasil. 

“O retrocesso na gestão ambiental foi um objetivo claro nos últimos anos, e os resultados são evidentes nos alertas de desmatamento do primeiro trimestre de 2022 e nos recordes de desmatamento em anos anteriores”, diz a porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti. 

Segundo análise do Greenpeace Brasil, só em terras indígenas, a área com alertas de desmatamento registrados no primeiro trimestre de 2022 somavam 749 hectares até o dia 25 de março, aumento de 52% em relação ao mesmo período do ano passado (considerando março fechado) em 2021, que registrou 493 hectares. 

Na quinta-feira, 7, o governo brasileiro apresentou sua nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) ao Acordo de Paris, para redução de emissões de gases que causam o efeito estufa. O acordo é um pacto assinado por quase 200 países em 2015, com o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC até o fim do século. 

Na avaliação de Natalie Unterstell e Nathália Martins, da organização Política por Inteiro, a meta brasileira retrocede em relação ao compromisso submetido pelo País em 2016, com aumento em 314 milhões de toneladas de CO2 no nível de emissões permitido em 2025 em relação à meta assumida naquele ano.

As especialistas apontam ainda aumento de em 81 milhões de toneladas de CO2eq no nível de emissões permitido em 2030 em relação à meta indicativa apresentada em 2016.

“O governo do Brasil deve resolver em absoluto e definitivo o problema de atualizar sua NDC sem o devido aumento da ambição climática. As sucessivas demonstrações de retrocesso afetam diretamente a credibilidade do País na esfera internacional”, afirmam, em análise sobre o assunto. “Além da correção de rumos, a implementação – ou “entrega” – de resultados de redução de emissões com foco em 2025 deve ser uma prioridade para este e próximos anos.”

Conforme previsto no Acordo de Paris, os governos nacionais concordaram em manter o aquecimento médio global bem abaixo de 2°C e buscar esforços para limitá-lo a 1,5°C até o fim do século. Individualmente, as partes contribuem por meio de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) que podem ser revisadas a qualquer tempo, desde que para “aumentar o seu nível de ambição”. 

A submissão realizada pelo Brasil em 2022 contém metas vinculantes de redução de emissões para os anos de 2025 e 2030 em relação a estimativas feitas em 2005. Foram fixados percentuais de redução de 37% (em 2025) e de 50% (em 2030) em relação àquele ano. A ambição seria chegar ao desmatamento ilegal zero em 2028. 

Desde 2019, o governo Jair Bolsonaro tem sido alvo de pressão no Brasil e no exterior diante do aumento dos níveis de devastação florestal, sobretudo na Amazônia. 

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