Desmatamento na Amazônia cai a 870 km² em junho

Valor representa uma queda de 20% em relação ao mês anterior, mas tendência anual é de alta

Simone Menocchi, de O Estado de S. Paulo,

29 Julho 2008 | 17h52

No mês de junho o desmatamento na Amazônia Legal teve uma queda de 20% em relação a maio. Foram 870 quilômetros quadrados devastados contra 1.096 mil quilômetros no mês anterior e o Estado do Mato Grosso, que antes liderava o ranking da destruição, ficou com a menor fatia, segundo os dados do Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real) foram divulgados nesta terça-feira, 29, pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Um dado importante é que neste período os satélites puderam avaliar 72% da área total da Amazônia, já que a cobertura de nuvens - que normalmente atrapalha a observação - foi de 28%.  Veja Também:Plantio em áreas da Amazônia é possível, diz StephanesMinc considera 'satisfatório' índice de desmatamento em junho Histórico do desmatamento Amazônia perdeu 1,5 campo de futebol por minuto em junho Relatório do Inpe Para chegar a essa conclusão, o Inpe analisou 21 imagens de melhor resolução do satélite LandSat e CBERS localizadas nos Estados do Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas, sendo vinte delas feitas depois de 25 de junho. De acordo com o Inpe as imagens permitiram a avaliação de 304 polígonos (com área maior que 25 hectares) de desmatamento de um total de 568 alertas do sistema, representando 454 km² ou aproximadamente 52% da área total dos polígonos do mês de junho.  Do total de polígonos avaliados, 92% foram confirmados como desmatamentos, sendo 66,7% do tipo corte raso (quando já não há mais nenhum tipo de floresta) e 25,3% degradação florestal (em processo de desmatamento) e 8% foram considerados como desmatamentos não confirmados. No mês passado foram avaliados 241 polígonos de desmatamento, representando 544 quilômetros quadrados sendo 59,5% desmatamento tipo corte raso (floresta totalmente destruída), 28,8% de degradação florestal (que vai ocorrendo em etapas) e 11,7% não se enquadraram nestas classes. Em junho o Estado do Mato Grosso apresentou redução de 70% quando comparado ao mês de maio. Do total detectado em junho, 197 km2 foram verificados no Mato Grosso, contra 646 km2 no mês anterior. Já o estado do Pará apresentou aumento de 91% - 499 km2 em junho contra 262 km2 em maio. Este acréscimo no Pará pode ser explicado, segundo o Inpe, pela maior capacidade de observação neste mês - enquanto em maio apenas 41% do Pará pôde ser visto pelos satélites, em junho a observação aumentou para 75% da área do estado. Os demais estados da Amazônia Legal apresentaram desmatamento pouco significativo. Os dados do sistema DETER referentes ao mês de julho serão divulgados no dia 29 de agosto. Os dados, segundo o especialista Carlos Souza Júnior, do Instituto Imazon, órgão não-governamental que também faz o monitoramento do desmatamento da Amazônia, os dados do corte raso, divulgados pelo Inpe, são semelhantes aos divulgados pelo instituto.  "Foram 66% de corte raso, detectado pelo Deter, o que significa 533 quilômetros quadrados de área totalmente sem vegetação. Pelos nossos dados, o corte raso chega a 612 quilômetros quadrados, o que pode ser considerado um empate técnico". Em junho de 2008, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) registrou 612 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. O sistema do Imazon mede somente corte raso. O volume representa um aumento de 23% em relação a junho de 2007 quando o desmatamento somou 499 quilômetros quadrados. "Estamos percebendo uma tendência de aumento e que preocupa é que agora virão os meses de seca, quando o desmatamento é ainda maior. Portanto, o controle deve ser maior, com mais fiscalização, mais rigorosa, senão vamos retomar as faixas do início do milênio e haverá um descontrole sobre o desmatamento da Amazônia".  No acumulado do período (agosto de 2007 a junho de 2008), o desmatamento totalizou 4.754 quilômetros quadrados, contra 4.370 quilômetros quadrados no período anterior (agosto de 2006 a junho de 2007). Isso representa um aumento de aproximadamente 9% na área desmatada no período atual em comparação com o anterior. Em junho de 2008, a maioria (63%) do desmatamento ocorreu no Estado do Pará (63%), seguido por Mato Grosso (12%), Rondônia (11%) e Amazonas (10%). Os demais estados contribuíram com cerca de 4% do desmatamento.

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