Desmatamento é tema 'incontornável', diz negociador dos EUA

Representante dos EUA que não se pode impor metas de preservação, pois o Brasil poderia rejeitá-las

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2008 | 18h52

O Brasil não terá como fugir do tema do desmatamento nas negociações internacionais sobre o meio ambiente e a questão da manutenção das florestas já é um assunto "incontornável" para as principais diplomacias do mundo. O alerta é de um dos principais formuladores da política ambiental americana, Daniel Reifsnyder.   Bem-vindo a Tucumã, onde não há mais o que desmatar No sobrevôo, a constatação de desmatamentos no MT Cidade em área de desmatamento tem duas ruas e três policiais Áreas de desmatamento têm maior índice de homicídios  Em Cumaru, devastação chega aos morros  Números do desmatamento  Amazônia - especial   Em declarações ao Estado, o norte-americano que chefia o Departamento de Meio Ambiente da Secretaria de Estado estima que não há como forçar um acordo sobre o Brasil para limitar o desmatamento. Mas alerta que uma solução terá de ser encontrada para o problema.   "Os níveis de emissões de CO2 do Brasil não são muito grandes. Mas o problema é que o desmatamento de florestas pode representar até 20% de todas as emissões. Por isso a preservação da cobertura florestal é essencial", afirmou o americano que tem em seu curriculum a negociação de mais de 15 acordos ambientais em nome da Casa Branca. "A questão da floresta não sairá da agenda internacional. Não há como escapar dessa realidade", disse o representante de Washington.   O governo americano quer que os países emergentes, como o Brasil, aceitem negociar no âmbito do G-8, neste ano, uma meta global de longo prazo para a redução de emissões de CO2. O grupo de países industrializados é presidido em 2008 pelo Japão, mas terá Brasil, China, Índia, México e África do Sul como convidados a debater uma série de assuntos.   Nos últimos anos, países como a Alemanha, França e outros têm insistido na necessidade de o Brasil, China e Índia também aceitarem metas de corte de emissões de CO2. Os países emergentes, porém, alegam que não poderiam aceitar tais restrições, temendo perdas no crescimento econômico. "Aceitamos a tese do crescimento econômico e queremos trabalhar em uma solução que considere esse aspecto", afirmou Reifsnyder.   A idéia da Casa Branca é de que uma taxa de corte de CO2 seja estabelecida para os próximos 20 ou 30 anos. "Passaremos então a negociar qual será a responsabilidade de cada um dos governos nessa visão para o futuro, inclusive a responsabilidade dos emergentes e como podemos ajuda-los", disse.   O americano, que afirma ter passado os últimos anos debatendo como convencer os emergentes a aceitar uma meta de redução de CO2, admite que um acordo com o Brasil nunca conseguirá ser imposto ao País.   "Se fizermos isso, eles (brasileiros) vão abandonar o processo, como nós fizemos com (o Protocolo de) Kyoto", afirmou. "Precisamos construir uma nova forma de confiança entre os governos e, assim, tenho certeza de que as negociações vão poder continuar", disse.   "Sabemos que esses países são contrários a metas específicas. Mas acreditamos que há uma chance de se negociar pelo menos uma visão comum de quanto o mundo precisa reduzir em termos de emissões", completou Reifsnyder.

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