Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Desmatamento do Cerrado sobe 13% no ano e tem o maior valor desde 2015

Entre agosto de 2019 e julho de 2020 foram suprimidos 7.340 km² de vegetação nativa; principais perdas ocorreram nos Estados de Maranhão, Tocantins e Bahia

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2020 | 17h10

Após uma leve queda no ano passado, o desmatamento no bioma Cerrado voltou a subir este ano. Entre agosto de 2019 e julho de 2020 foram suprimidos 7.340 km² de vegetação nativa, alta de 13% em relação às perdas observadas nos 12 meses anteriores (6.483 km²). O desmatamento equivale a  quase 5 vezes a área da cidade de São Paulo e é o maior valor para o bioma desde 2015, quando foi observada uma devastação de mais de 11 mil km².

Os dados divulgados nesta segunda-feira, 28, são do projeto Prodes Cerrado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O monitoramento do bioma é feito desde 2001, inicialmente a cada dois anos. Desde 2013 é feito anualmente. Neste ano, o Estado do Maranhão foi o que apresentou a maior área de desmatamento (1.836,14 km²), respodendo por 25% das perdas no bioma. Foi seguido por Tocantins (1.565,88 km²) e Bahia (919,17 km²).

As principais ameaças ao Cerrado ocorrem pela expansão da fronteira agrícola principalmente pela região conhecida como Matopiba (palavra que junta as siglas justamente dos Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A taxa divulgada nesta segunda corresponde 100% à gestão Bolsonaro.

O aumento do impacto sobre o Cerrado é semelhante ao que ocorreu na Amazônia no mesmo período. Dados também do Inpe divulgados no fim de novembro apontaram alta de 9,5% no último ano do desmatamento na floresta – maior taxa desde 2008. Entre agosto de 2019 e julho deste ano, a devastação da floresta alcançou 11.088 km², ante os 10.129 km² registrados nos 12 meses anteriores.

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