Lourival Sant'Anna
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Desmatamento aumentou 282% na Amazônia Legal

Sistema de monitoramento registrou 42 km² de áreas devastadas em fevereiro; no mesmo mês de 2014 tinham sido destruídos 11 km²

Fábio de Castro

21 Março 2015 | 20h31

O desmatamento da Amazônia foi de 42 km2 em fevereiro de 2015, um aumento de 282% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram devastados 11 km2. Os números são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O SAD produz um monitoramento não oficial da Amazônia Legal - área que se estende por mais de 5 milhões de km2 em nove estados brasileiros -, que tem seus dados divulgados mensalmente.

De acordo com o boletim do Imazon, em fevereiro de 2015 o desmatamento se concentrou no Mato Grosso (37%), Roraima (28%), Amazonas (16%), Pará (14%) e Rondônia (5%). Os municípios mais desmatados em fevereiro de 2015 foram Porto dos Gaúchos (MT) e Vitória do Xingu (PA).

A maior parte da destruição ocorreu em áreas privadas: 79%. O restante foi registrado em assentamentos de reforma agrária (18%), Unidades de Conservação (2%) e terras indígenas (1%).

A devastação acumulada nos sete primeiros meses do calendário oficial de medição do desmatamento - entre agosto de 2014 e fevereiro de 2015 - chegou a 1702 km2. O aumento foi de 215% no período anterior, quando foram desmatados 540 km2.

Entre agosto de 2014 e fevereiro de 2015, o Mato Grosso desmatou 595 km2, o que corresponde a 35% de toda a área devastada. O Pará desmatou 433 km2 e Rondônia 342 km2, o que corresponde, respectivamente, a 25% e 20% da área florestal destruída.

Além dos dados sobre o corte raso, o boletim inclui os dados sobre florestas degradadas - aquelas que não foram inteiramente suprimidas, mas foram intensamente exploradas ou atingida por queimadas. Em fevereiro, as florestas degradadas somaram 49 km2 - o que representa uma redução de 2% em relação a fevereiro de 2014, quando foram registrados 50 km2 de florestas degradadas.

Os dados obtidos pelo SAD em fevereiro de 2015 têm limitações, já que mais da metade da área florestal da Amazônia Legal (59%) estava coberta por nuvens e, portanto, fora do alcance dos satélites. Em fevereiro de 2014, a cobertura foi ainda maior, deixando 69% da área inacessível ao monitoramento. O boletim do Imazon destaca que, por causa dessas condições, os dados de desmatamento e degradação florestal para fevereiro de 2015 podem estar subestimados.

Divergências. O SAD utiliza imagens dos mesmos sensor e satélite empregados pelo sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece ao governo federal as informações sobre as novas áreas de desmatamento na Amazônia. As metodologias utilizadas pelo Inpe e pelo Imazon, porém, são diferentes - o que explica eventuais disparidades entre os resultados dos dois sistemas.

Os últimos dados oficiais do Deter, divulgados pelo Inpe no dia 2 de março, faziam referência ao período entre novembro de 2014 e janeiro de 2015. Naquele trimestre, segundo o Inpe, as áreas com alterações florestais - somando corte raso e degradação florestal - teriam chegado a 291 km2, o que corresponderia a um aumento de 5% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Para o SAD, no trimestre entre novembro de 2014 e janeiro de 2015, a alteração florestal teria atingido 1.163 km2, com um aumento de 326% em relação ao mesmo período um ano antes.

Considerando apenas o corte raso entre novembro de 2014 e janeiro de 2015, o Inpe registrou uma devastação de 219 km2 - área equivalente a cerca de 137 vezes a do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. Já o SAD, no mesmo período, registrou uma área totalmente devastada de 578 km2, uma estimativa duas vezes e meia maior que a do Inpe.

Segundo o Inpe, o Deter usa dados de satélites de resolução moderada - que "enxergam" áreas acima de 250 metros - e é concebido para dar apoio à fiscalização do desmatamento, de acordo com as demandas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O sistema Prodes, também operado pelo Inpe, fornece os dados oficiais anuais de desmatamento, com base em imagens de alta resolução. Já no caso do Deter, o que importa não é a precisão, mas a velocidade: as imagens são analisadas em até cinco dias após a passagem do satélite, indicando onde a devastação está acontecendo e permitindo a coordenação de ações contra os desmatadores ilegais. Por isso, embora o Inpe envie diariamente dados ao Ibama, um acordo entre as duas entidades, assinado em 2014, determina que a divulgação seja trimestral.

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