Desenvolvimento não significa destruir a natureza, diz Lula

Na posse do novo ministro, presidente defende preservação ambiental e critica nações desenvolvidas

Fábio Graner, Leonardo Goy e Leonêncio Nossa, da Agência Estado,

27 de maio de 2008 | 16h25

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a preservação ambiental e rebateu nesta terça-feira, 27, a idéia de que desenvolvimento significa destruição da natureza. "De uma vez por todas, precisamos compreender que a questão ambiental no Brasil e no mundo precisa ser tratada com seriedade". Na sua avaliação, todos sabem que "acabou" o tempo em que as pessoas entendiam que o processo de degradação ambiental fosse um exemplo de desenvolvimento.  Veja também:Sem poupar elogios a Marina, Lula chega a compará-la a PeléEstudo aponta redução na destruição da mata atlântica Inpe suspende divulgação de dados sobre desmatamentoEspecial: Amazônia - Grandes reportagens  Segundo ele, existem pessoas que acham que para fazer desenvolvimento no País é preciso degradar ou destruir a natureza a qualquer custo. "Isto não é verdade", disse Lula, na cerimônia de posse do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (PT-RJ). Lula afirmou também, que há pessoas que acham que nada pode ser feito para proteger o meio ambiente. "Mas isso também não é verdade", disse. O presidente destacou que a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (PT-AC), mostrou que na questão ambiental é possível combinar sensatez, respeito às leis e capacidade técnica, como foi no caso da BR-163 e na integração da Bacia do Rio São Francisco. Ele ressaltou que a ex-ministra, quando assumiu, disse que tinha acabado a era do "é proibido fazer" e iniciado o período do "como fazer". "Este foi o comportamento da companheira Marina em seu período à frente do Ministério; Marina sabe que não foi fácil e não é fácil", disse o presidente.  Ainda no discurso, Lula reforçou que a política ambiental do governo é aquela que está no programa de suas campanhas eleitoras de 2002 e 2006. "A política ambiental é aquela que está nos programas que me fizeram ganhar as eleições", disse, mantendo o discurso que tem adotado nas últimas semanas, de que a política ambiental de sua gestão não é a política de um ou outro ministro, mas do governo.  Lula reclamou também das nações desenvolvidas e lembrou as que não assinaram o protocolo de Kioto . "Eles acham que nós brasileiros temos que fazer aquilo que eles não fizeram. Nessa questão do aquecimento global, não discutem o desmatamento que já foi feito em seus países, a emissão de gases e o padrão de consumo que eles têm", disse. Lula se ainda queixou de entidades internacionais que associam o aumento do preço dos alimentos à produção de biocombustíveis. "O mais grave é que tentam passar para o mundo a idéia de que vai haver uma inflação de alimentos. E a inflação de alimentos vai ser causada pelo etanol. Qual é a base científica para fazer uma afirmação dessa?", questionou. Lula ainda reclamou do noticiário brasileiro. "Muitas vezes as coisas, para acontecer no Brasil, precisam dar primeiro no New York Times", comentou. Lula lembrou do sindicalista e líder seringueiro Chico Mendes, que só se tornou conhecido nacionalmente e "levado a sério" no Brasil depois de ser notícia internacional. "Hoje, vejo o mundo falar da Amazônia como se dissessem que a Amazônia é coisa do mundo e não do Brasil", afirmou.  Texto ampliado às 16h42

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