Sergei Karpukhin/Reuters
Sergei Karpukhin/Reuters

Desastres no hemisfério norte seguem previsões da mudança climática

Meteorologistas alertam para necessidade de melhorar a previsão de eventos climáticos erxtremos

Associated Press

12 de agosto de 2010 | 14h33

Enchentes, incêndios, calor febril: da fumaça que sufoca Moscou às águas que encharcam o Paquistão, o hemisfério norte parece estar tendo um colapso neste verão. E não se trata apenas de um sinal do que está porvir, dizem os cientistas, mas um indicador da mudança climática já em andamento.

 

Os cataclismos climáticos de julho e agosto se encaixam nos padrões previstos por cientistas climáticos, diz a Organização Meteorológica Mundial (OMM), embora os cientistas evitem ligar fenômenos específicos ao aquecimento global.

 

Os especialistas agora veem uma necessidade urgente de obter meios melhores de prever eventos extremos, como a onda de calor e os incêndios florestais na Rússia e o dilúvio que atinge o Paquistão. Eles discutirão as ferramentas necessárias em reuniões realizadas neste mês e no próximo na Europa e nos EUA, sob patrocínio da ONU, Londres e Washington.

 

"Não há tempo a perder", porque as sociedades precisam se equipar para lidar com o aquecimento global, disse o climatologsita britânico  Peter Stott.

Ele disse que os criadores de modelos climáticos estão "muito interessados" em produzir modelos em supercomputadores que permitam estabelecer uma conexão mais sólida de causa e efeito à medida que o aquecimento global muda o comportamento da atmosfera.

 

A rede de especialistas em clima das Nações Unidas - o Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC) - prevê há tempos que a elevação das temperaturas globais produziria ondas de calor e chuvas mais intensas e frequentes.

 

Em seu relatório mais recente, de 2007, o painel afirmou que essas tendências "já vêm sendo observadas", por exemplo no aumento na frequência de ondas de calor desde1950.

 

A despeito disso, os climatologistas geralmente evitam culpar o aquecimento global por esta enchente ou esta onda de calor específica, já que muitos outros fatores entram na formação de cada evento específico.

 

Stott e Gavin Schmidt, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, dizem que o melhor é pensar em termos de probabilidades: o aquecimento global pode dobrar a chance de haver ondas de calor, por exemplo. "E isso é exatamente o que está acontecendo", disse Schmidt. "Muitos mais extremos de calor e menos extremos de frio".

 

A OMM destaca, a despeito de toda a cautela, que os eventos do verão setentrional deste ano se encaixam na previsão científica de "eventos climáticos mais frequentes e intensos causados pelo aquecimento global".

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