Desastres naturais geram 22 milhões de refugiados, três vezes o impacto das guerras

Segundo dados publicados por entidades referência na ONU, 600 eventos climáticos foram registrados só no ano de 2013

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2014 | 07h00

GENEBRA - As mudanças climáticas já afetam comunidades inteiras e, apenas em 2013, 22 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e cidades por conta de desastres naturais. O número de vítimas é três vezes superior aos refugiados por conta de guerras.

Os dados estão sendo publicados hoje pelo Observatório sobre Situações de Deslocamentos e pelo Conselho Norueguês para os Refugiados, entidades que servem de referência na ONU para a avaliação do impacto dos fenômenos extremos em populações.

Segundo o estudo que está sendo lançado às vésperas das reuniões na ONU sobre mudanças climáticas, o volume de pessoas afetadas é duas vezes superior ao que era registrado nos anos 70. Nos últimos 40 anos, a população das grandes cidades explodiram, intensificando os desafios e criando crises urbanas importantes.

Desde a década de 70, a população mundial aumentou em 98%. Mas a população urbana cresceu em 187%. No total, 600 eventos climáticos extremos de grandes proporções foram registrado em 2013 em 119 países. 94% deles eram tormentas e inundações. Nenhuma região do mundo escapou. Mas a Ásia concentrou 87% dos afetados pelos desastres naturais.

Se o clima não reconhece fronteiras, o impacto depende sempre do nível de desenvolvimento de um país. 85% dos afetados vivem em países pobres. Só o tufão Haiyan obrigou 4,1 milhões de filipinos a deixar suas casas. No Japão, o tufão Man-yi afetou 260 mil pessoas e, em Oklahoma nos EUA, uma tempestade obrigou 218 mil pessoas a abandonar suas cidades.

Para os especialistas, o número de fenômenos climáticos extremos deve aumentar nos próximos anos, em parte por conta das mudanças climáticas, mas também pela quantidade cada vez maior de pessoas vivendo em condições precárias em cidades.

Diante deste cenário, as entidades lançam um apelo para que governos invistam na prevenção de desastres e que assumam compromissos políticos firmes neste sentido. 

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