Derramamento de óleo já é o pior dos EUA; nova mancha de petróleo avistada

Ainda é cedo para afirmar se a tentativa de tampar o poço com lama funciona, disse porta-voz da BP

Associated Press

27 Maio 2010 | 13h57

O vazamento de petróleo no Golfo do México superou o desastre do petroleiro Exxon Valdez como o pior derramamento de óleo no mar da história dos Estados Unidos. A Guarda Costeira disse que o método tentado ontem para deter o vazamento parece estar funcionando, enquanto cientistas alertam  que uma segunda mancha de petróleo foi avistada no mar.

 

Uma equipe de cientistas está calculando quanto óleo já fluiu desde a explosão da plataforma Deepwater Horizon em 20 de abril, que matou 11 pessoas e deixou o poço aberto no fundo do mar, a mais de 1,5 km da superfície. As estimativas mais recentes dão conta de uma taxa de emissão até cinco vezes maior que a estimada originalmente.

 

Abaixo, vídeo com imagens de satélite da Nasa mostra a evolução da mancha:

 

 

Mesmo usando os números mais conservadores, isso significa um vazamento de 72 milhões de litros, superando o desastre do Exxon Valdez que, em 1989, derramou 42 milhões de litros. No pior cenário, o vazamento no Golfo do México pode ter emitido  148 milhões de litros. A empresa British Petroleum (BP), responsável pela plataforma e sob pressão do governo americano para conter o vazamento, não se manifestou sobre a nova estimativa.

 

Nesta quinta-feira, cientistas descobriram uma enorme nova mancha de óleo sob o mar no Golfo do México, estendendo-se 35 km para o nordeste, rumo à costa do Alabama. A mancha principal move-se para Louisiana e Flórida. A descoberta é a segunda mancha significativa avistada desde o desastre da plataforma.

 

 

Na semana passada, a BPP havia instalado um tubo de 1,6 km de comprimento no poço, para sugar parte do petróleo para o interior de um navio petroleiro. O tubo juntou 3,5 milhões de litros, mas o arranjo teve de ser desmantelado para dar início ao procedimento conhecido como "top kill", para tentar interromper o fluxo por completo, injetando material pesado no poço e lacrando-o com concreto. O "top kill" nunca foi tentado a essa profundidade.

 

O tenente-comandante Tony Russell, assessor do almirante da Guarda Costeira Thad Allen, disse que o material pesado estava reduzindo o fluxo de material para fora do poço, mas que ainda é cedo para dizer se o processo terá sucesso. O "top kill" começou na quarta-feira e podem se passar vários dias antes que se possa fazer um diagnóstico.

 

O porta-voz da BP, Tom Mueller, desmentiu os informes de que a manobra já era um sucesso. "Apreciamos o otimismo, mas a operação de top kill continua durante todo o dia, e isso não mudou", disse ele. "Não esperamos ser capazes de dizer algo de definitivo tão cedo".

 

Governo Obama

 

Em Washington, a diretora do Serviço de Gerenciamento de Minerais, Elizabeth Birnbaum, demitiu-se algumas horas antes de um esperado pronunciamento do presidente Barack Obama. Espera-se que ele prorrogue uma moratória na exploração de petróleo em águas profundas.

 

O departamento de Birnbaum se viu sob duras críticas de ambos os partidos do Congresso americano pela supervisão negligente das perfurações e pelo relacionamento excessivamente amigável com empresas do setor.

 

Um relatório divulgado no início da semana revela que, entre 2000 e 2008, funcionários da agência aceitaram ingressos para eventos esportivos, almoços e outros presentes de empresas de petróleo e gás, e usaram computadores do governo para assistir a pornografia. Birnbaum administrava a área desde julho de 2009.

 

Obama decidiu adiar a venda de concessões para a exploração de petróleo no Alasca e cancelar de vez planos de autorizar perfurações no Golfo Ocidental e na costa do estado de Virginia.

 

Se o top kill falhar, a BP tem planos de contingência, incluindo lacrar o poço com um tampão. Uma tentativa anterior nesse sentido falhou. A BP também pode tentar um "tiro de lixo", arremessando detritos no poço para entupi-lo, durante o processo de top kill. A única solução permanente é furar outro poço para retirar o óleo de forma controlada, mas isso levará meses.

 

Embora o vazamento seja o maior da história dos EUA, não é o pior do Golfo do México. Uma plataforma mexicana, a Ixtoc 1, explodiu em junho de 1979, liberando 530 milhões de litros de óleo.

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