Demanda energética da China e Índia ameaça clima, diz AIEA

A Agência Internacional de Energiaapresentou na quarta-feira propostas duras e urgentes paraevitar as "alarmantes" implicações climáticas do aumento dademanda energética de China e Índia. O relatório sugere que restringir a mudança climática adeterminados limites, como quer a União Européia, pode ser algoinatingível, ao menos sob um custo acessível. O influente documento intitulado Panorama da EnergiaMundial foi publicado pela AIE menos de um mês antes da reuniãode quase 200 países em Bali (Indonésia) para começar a discutirum tratado que suceda ao Protocolo de Kyoto a partir de 2012. "Até agora falou-se mais do que se fez na maioria dospaíses", disse a AIE. "As consequências do crescimentodesordenado na demanda global por energia para a China, aÍndia, a OCDE [países industrializados] e o resto do mundo são,entretanto, alarmantes." A resposta a tal situação inclui a busca por maioreficiência energética e o uso de energias renováveis, com menoremissão de carbono do que os combustíveis fósseis. A AIE, que dá consultoria a 26 países industrializados,disse que as emissões globais de carbono devem crescer 57 porcento até 2030, se mantida a atual tendência, e que isso éconsistente com um aumento de 5 graus Celsius a 6 graus Celsiusem longo prazo na temperatura global, conforme as recentesestimativas da ONU. Mesmo que os governos adotassem todas as políticasambientais em discussão, as emissões de carbono ainda assimcresceriam mais de 25 por cento até 2030, o que representariaum aquecimento médio de 3C. Nesse modelo, as energias renováveis atenderiam a 17 porcento da demanda, ainda bem aquém do carvão. Reduzir as emissões de carbono abaixo dos níveis atuais emanter a mudança climática dentro dos padrões de segurançadefinidos pela UE exigiria uma ação política "sem precedentes". Algumas usinas elétricas movidas a combustíveis fósseisseriam prematuramente aposentadas, a um custo de 1 trilhão dedólares, e o preço da eletricidade ficaria muito mais alto,segundo o relatório. Mas o forte crescimento econômico que ajuda a reduzir apobreza na Ásia, especialmente na China e na Índia, é oprincipal responsável pela expectativa de aumento nas emissõesde carbono. Só a China foi responsável por 58 por cento do aumento dasemissões mundiais de carbono entre 2000 e 2006. Até 2030, sua contribuição para as emissões globais devemcrescer de cerca de 20 por cento para mais de 25 por cento. Emtermos per capita, porém, as emissões chinesas continuariaminferiores às dos EUA. A AIE defendeu uma "reação global" para descobrir soluçõesenergéticas que tornem o crescimento da Ásia mais sustentável. O relatório confirma o teor de uma reportagem deste ano daReuters, segundo a qual a China está no caminho de superar osEUA como maior emissor mundial de carbono em 2007. O relatórioprevê que a Índia vá superar a Rússia e se tornar o terceiromaior emissor até 2015.

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