Delegado brasileiro na Comissão Baleeira diz que trabalhos continuam

Fábio Pitaluga é o Chefe da Divisão do Mar, da Antártida e do Espaço do Ministério das Relações Exteriores e integrante da delegação brasileira na Comissão Internacional da Baleia. De Agadir, no Marrocos, ele concedeu essa entrevista exclusiva ao estadao.br. Confira:

Karina Ninni, Estadao.com

23 Junho 2010 | 16h08

 

Estado: Qual era a posição do Brasil nas negociações?

 

Fábio: Nós, do Grupo de Buenos Aires, que reúne 12 países da América Latina incluindo o Brasil, reiteramos nossa disposição para negociar, mas não ouvimos nada de novo dos países que deveriam ter apresentado números e metas. Estávamos até dispostos a negociar uma saída "gradual" do Japão do Santuário do Oceano Austral, pois sabemos que não dá para pedir para o Japão sair em dois dias dali. Estávamos dispostos a aceitar uma retirada gradual de 5, até 6 anos. Mas percebemos que os assuntos que eram de nosso interesse, como a revisão dos artigos V e VIII da Convenção Internacional para Regulação da Atividade Baleeira, por exemplo, ficariam para um futuro "incerto".

 

Estado: As notícias veiculadas antes da reunião davam conta de que a Comissão poderia ficar desacreditada, ou mesmo se desarticular. Isso procede?

 

Fábio: Não, não procede. O fato de não termos conseguido chegar a um acordo não significa que a discussão vá ficar parada. Hoje mesmo (quarta, 23) faremos uma reunião para decidir os próximos passos, o que vai ser apresentado no encerramento do encontro, que é sexta-feira. As delegações estão reforçando sua confiança na Comissão. Estamos tomando esse hiato de um ano como um tempo de "esfriamento".

 

Estado: Qual era o principal ponto de discordância com relação ao documento que estava na mesa de negociações?

 

Fábio: Isso é difícil dizer, porque praticamente todos os países tinham problemas com o documento. Os conservacionistas achavam muito pró-caça e os países baleeiros achavam muito conservacionista.

 

Estado: Quando você percebeu que as delegações não chegariam a um acordo?

 

Fábio: Olha, eu percebi muito cedo. As coisas funcionam assim: os chefes das delegações se reúnem a portas fechadas para definir como vai ser conduzida a Plenária. Na primeira reunião a portas fechadas eu já percebi que seria difícil chegar a um acordo. Isso foi se desenhando depois.

 

Estado: Como se portou o Japão?

 

Fábio: No geral, foi tudo muito civilizado. O Japão disse que não sairia do Santuário Austral e disse que queria mais dez anos. Ou seja: o que se esperava.

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