Degelo no Canadá indica mudanças graves, diz especialista

Cientistas estimavam que as banquisas perderiam 20 quilômetros quadrados neste verão. Perderam 215

DAVID LJUNGGREN, REUTERS

03 Setembro 2008 | 16h42

O degelo incrivelmente rápido dasplataformas de gelo no Ártico canadense serve como alerta paraas "mudanças muito substanciais" provocadas pelo aquecimentoglobal, disse um renomado especialista na quarta-feira. Pesquisadores anunciaram na noite de terça-feira que cincobanquisas ao longo da ilha Ellesmere, no extremo nortecanadense, perderam 23 por cento da sua área só neste verão.Essas plataformas de gelo existem há mais de 4.000 anos. A banquisa maior está se desintegrando, e uma das menores,com 55 quilômetros quadrados, se rompeu inteiramente em agosto. "Os modelos climáticos indicam que as maiores mudanças, asmudanças mais severas, vão acontecer primeiro nas latitudesboreais mais elevadas", disse Warwick Vincent, diretor doCentro de Estudos Boreais da Universidade Laval, no Québec. "Este será o ponto de partida para mudanças maissubstanciais em todo o resto do planeta. Nossos indicadoresestão nos mostrando exatamente o que os modelos climáticospreviam", disse ele à Reuters. A expectativa é de que o aquecimento global provoque maisfuracões, ciclones e inundações no planeta. Vincent, que há dez anos visita anualmente as banquisas dailha Ellesmere, disse que o impacto do aquecimento em 2008 é"estarrecedor". A equipe dele estimava que as banquisas perderiam 20quilômetros quadrados neste verão. Perderam 215. "Dá para vermar aberto até o horizonte numa área que é tipicamente cobertade gelo ao longo de toda a estação", disse ele. A banquisa Markham se separou de Ellesmere no começo deagosto. Dois pedaços enormes, totalizando mais de 121quilômetros quadrados, se soltaram da vizinha banquisa Serson,reduzindo seu tamanho em 60 por cento. A banquisa Ward Hunt, que com 400 quilômetros quadrados é amaior que resta, está se desintegrando. "Claramente aviabilidade de longo prazo daquela banquisa agora na verdade éde curto prazo", disse Vincent. A temperatura máxima registrada neste ano pela equipe foide 19,7C, bem acima da média história de 7,8C. Vincent diz não ter dúvidas da responsabilidade humanasobre o aquecimento. "Acho que estamos num ponto em que não éimpossível de parar, mas pode ser desacelerado. E se vocêpensar na magnitude dos efeitos sobre a nossa sociedade, entãorealmente precisamos nos dar mais tempo para nos preparar paraalgumas mudanças muito substanciais que vêem pela frente."

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