Rahel Patatrasso/Reuters
Rahel Patatrasso/Reuters

Decisão de como aplicar dinheiro de reflorestamento é do governo, diz Salles

Ministro do Meio Ambiente classificou como 'excelente' e 'bem-vinda' a ajuda de cerca de R$ 80 milhões anunciada pelo G-7

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2019 | 11h55
Atualizado 26 de agosto de 2019 | 17h37

Correções: 26/08/2019 | 14h36

SÃO PAULO - O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, classificou como "excelente" e "bem-vinda" a ajuda de cerca de R$ 83 milhões para combater os incêndios na Amazônia anunciada nesta segunda-feira, 26, pelo G-7, o grupo de países mais ricos do mundo. Sobre a proposta de apresentar um plano de reflorestamento para o Brasil e países vizinhos, com ajuda de organizações não governamentais (ONGs), Salles disse que a decisão de como aplicar o dinheiro ficará a critério do governo.

"Quem vai decidir como usar recursos para o Brasil é o povo brasileiro e o governo brasileiro", disse Salles sobre a colaboração com entidades do terceiro setor, acrescentando que "qualquer ajuda é bem vinda".

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Quem vai decidir como usar recursos para o Brasil é o povo brasileiro e o governo brasileiro.
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Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente

O ministro ainda cobrou de países desenvolvidos um crédito de US$ 2,5 bilhões (o equivalente a R$ 10 bilhões) que o País teria, segundo ele, de acordo com os termos do Protocolo de Kyoto. 

"Desde 2005, o Brasil tem cerca de 200 milhões de toneladas de gás carbônico em MDL, mecanismo de desenvolvimento limpo, para receber. Isso gera uma receita de US$ 2,5 bilhões", disse. "Pedimos para que os países desenvolvidos, inclusive os do G-7, nos ajudem a quitar essa fatura do Protocolo de Kyoto, esse crédito que o Brasil tem e que também seria muito bem-vindo para nós."

O número de queimadas no Brasil atingiu neste ano seu maior nível desde 2013, no período de janeiro a agosto, segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Salles atribui esse resultado, com a alta de 82% em relação ao ano passado, à seca e temperaturas altas na Região Norte, mas admite que o desmatamento "contribuiu" para o aumento de queimadas.

"Se você olhar a série histórica, nós vimos que vem oscilando de acordo com essas características: clima arco e tempo quente. De todo modo, também o desmatamento contribui para essa questão das queimadas", disse o ministro.

Desenvolvimento

Salles falou sobre o anúncio do G-7 na saída de uma convenção do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), na capital paulista. Durante o evento, o ministro atribuiu o problema do desmatamento na Amazônia e outras questões ambientais, como a ocupação irregular de solo, à falta de "desenvolvimento econômico" e de regras que permitam a "exploração adequada da riqueza".

"Congelar a Amazônia não me parece que funcionou", disse o ministro, durante a abertura da convenção. Ele argumentou que "a miséria, a pobreza, a falta de desenvolvimento é o pior problema do meio ambiente."

Durante a cerimônia, o presidente do Secovi, Basilio Jafet, elogiou o ministro e reclamou do "emaranhado" de leis ambientais no País, e fez um apelo para que o governo Bolsonaro tome medidas para dar mais segurança jurídica ao setor imobiliário, com regras de regulação ambiental claras. O ministro concordou.

Salles foi aplaudido de pé no auditório. Quem puxou a salva de palmas foi o secretário estadual de Habitação de São Paulo, Flávio Amari. Segundo o secretário, Salles atualmente enfrenta desafios "inimagináveis" à frente do Ministério do Meio Ambiente.

Ministro critica ONGs

Mais tarde, em outro evento, o ministro criticou o trabalho de ONGs que atuam na Amazônia. Sem dar detalhes nem nomes de entidades, Salles disse que há "boas iniciativas" e também "maus projetos", inclusive com a intenção de criar alarde para aumentar sua arrecadação.

"Tem bons trabalhos, que precisam continuar, e há os que são quase que um pretexto para continuar tomando dinheiro, seja do governo ou de entidades internacionais", disse. "Quanto mais você cria um sentimento de descontentamento, de urgência, mais pretexto para angariar recursos você tem."

Questionado, o ministro não citou o nome de nenhuma organização e disse que a informação sobre as ONGs que atuam no País é conhecida "por todo mundo". 

Correções
26/08/2019 | 14h36

Ao contrário do informado inicialmente, o valor previsto da União Europeia é de 20 milhões de dólares, não euros, o que equivale a cerca de R$ 83 milhões.

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