Debate sobre o que é 'perigoso' na mudança climática é reaceso

Apesar de os governos do mundo terem secomprometido em tentar evitar as mudanças climáticas"perigosas", que devem elevar o nível do mar, causar secas eenchentes, eles ainda não chegaram a um acordo sobre umadefinição de onde começa o perigo. A polêmica surgiu depois da divulgação de um relatório daOrganização das Nações Unidas (ONU) no sábado, na Espanha, queaumentou a polêmica sobre o que deve ser considerado"perigoso". Na Rio-92, um acordo assinado por mais de 190 paísesestabeleceu como meta evitar interferências humanas "perigosas"no clima. "Acho que o mundo se decidiu a definir 'perigoso"',disse Rajendra Pachauri, chefe do grupo da ONU depois dadivulgação do levantamento, que afirma que os pobres da Áfricae da Ásia são os que mais correm riscos por causa das mudançasno clima. Mas há especialistas que digam que é impossível criar umadefinição concreta, e que isso pode desviar a atenção dosesforços para cortar as emissões de gases-estufa. "'Perigoso' quer dizer coisas diferentes para pessoasdiferentes", disse Yvo de Boar, chefe do Secretariado deMudança Climática da ONU. "Se está tão claro pelas evidências científicas queprecisamos desenvolver uma resposta, me parece perda de tempoficar estabelecendo uma definição exata para o problema", disseele à Reuters. A União Européia já disse que uma elevação média de mais de2 graus Celsius da temperatura global, em relação aos níveispré-industriais, seria uma mudança "perigosa". De Boer observou que o limiar de 2 graus parece exageradopara países que considerem o esforço caro demais, mas que aomesmo tempo é muito permissivo para ilhas-Estado do Pacífico,que com esse aquecimento já podem ter sido varridas do mapa. Para Pachauri, o mundo precisa levar em conta os maisvulneráveis do mundo. E é isso que ele dirá no dia 10 dedezembro, em Oslo, quando receber o Prêmio Nobel da Paz em nomedo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas),junto com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore. O relatório do IPCC evita a definição de "perigoso",dizendo que ela envolve juízos de valor que fogem à esferacientífica. Para Ottmar Edenhofer, economista-chefe do Instituto dePesquisa sobre Impacto Climático de Potstam, é mais importantedefinir os cortes dos gases-estufa que a palavra "perigoso". "No fim das contas, o que precisamos é de uma compreensãocomum do perfil da redução das emissões -- e uma melhorcompreensão dos custos", disse ele.

ALISTER DOYLE, REUTERS

19 de novembro de 2007 | 16h54

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