Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Debate para texto final avança lentamente

Em Nova York, negociadores levam mais de meia hora para discutir cada parágrafo

Gustavo Chacra, Correspondente, NOVA YORK,

01 Junho 2012 | 22h30

O avanço nas negociações do documento final da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, é lento e, em alguns momentos, parece emperrar, com dezenas de países, entidades civis e privadas querendo dar as suas opiniões sobre temas que variam de mineração a oceanos. Cada parágrafo demora 30 minutos ou mais para ser discutido. Nesta semana - a penúltima em que se debateu o texto -, foram discutidas 80 páginas. O encontro, em Nova York, acaba neste sábado.

 

Os delegados responsáveis pela elaboração e negociação do documento a ser discutido na conferência sobre o meio ambiente no Rio de Janeiro se reuniram mais uma vez nas Nações Unidas, pois não haviam conseguido concluir a tempo o encontro anterior, em maio.

 

Eles se distribuem em uma série de salas no recém-reformado prédio norte da ONU. Centenas de diplomatas, executivos e membros de ONGs acompanham um texto que aparece em uma tela. Todos leem ao mesmo tempo, enquanto enviam e-mails de seus computadores para outros técnicos e diplomatas envolvidos nas negociações.

Quando um parágrafo começa a ser discutido, as delegações começam a se manifestar. Parece um pouco a negociação de um contrato entre dois advogados. Mas são dezenas de pessoas representando muitas vezes países com interesses conflituosos.

 

Em um trecho de mineração, por exemplo, o delegado canadense levantou a mão. “Acho que precisamos incluir a palavra ‘explorar’”, disse. O texto dizia, em tradução livre, “ser preciso melhorar a eficiência dos mecanismos existentes na indústria e partes interessadas”. A proposta canadense, por sua vez, mudava para “ser preciso melhorar e explorar a eficiência dos mecanismos existentes na indústria e partes interessadas”. Imediatamente, o chefe da mesa abre um colchete, redige a mudança e acrescenta o nome do Canadá.

 

O delegado dos EUA decide levantar a mão assim que a redação do novo termo termina. A palavra é concedida para ele. “Nós apoiamos o bom senso do Canadá nesta mudança”, diz o diplomata americano. Assim como os canadenses, eles atuam de forma independente. Outros países participam em bloco, como o G-77, do qual o Brasil faz parte, e a União Europeia.

 

Em seguida, o grupos dos 77 países pede, no mesmo parágrafo, para que a palavra “corretamente” seja acrescentada depois de “tributada”. O Azerbaijão, também independente, se manifesta para declarar o apoio ao G-77. São mais uns dois minutos com a intervenção. A União Europeia pede outra mudança. “Deve ser tributada corretamente desde que administrada de forma sustentável”, diz um dos vários representantes dos países europeus. Mais colchetes no texto.

 

Esses debates prosseguem por todas as manhãs e tardes na ONU, antes de os trabalhos serem transferidos para o comitê preparatório no Rio, onde novas mudanças serão feitas. Até agora, o documento tem cerca de 80 páginas, sendo que os diplomatas consideram 50 como o ideal.

 

 

 

Festival aproxima público de questões ambientais

 

Uma das primeiras atividades relacionadas à Rio+20, o Green Nation Fest foi aberto no Rio oferecendo gratuitamente mostras interativas, exibições de filmes e oficinas que discutem as mudanças climáticas. A proposta é mostrar de forma leve e lúdica como os debates oficiais da conferência se relacionam com o dia a dia dos participantes. 

 

O festival espera reunir 24 mil pessoas até o dia 7, antecedendo os debates e eventos oficiais da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que acontece entre os dias 13 e 22. “Queremos traduzir de forma simples, para as pessoas vivenciarem as sensações provocadas pelas mudanças climáticas”, afirmou o idealizador do festival, Marcos Didonet. 

 

Uma das estratégias para promover essa aproximação é a imersão dos participantes em tendas que simulam catástrofes naturais e efeitos das mudanças climáticas, como enchentes, degelo e queimadas. Além disso, os participantes também podem adotar uma muda de árvore nativa da Mata Atlântica. 

 

A ideia é que o público acompanhe pela internet o crescimento da árvore, plantada como forma de compensar a emissão de gás carbônico na atmosfera gerada tanto pelo festival quanto pelos participantes em seu deslocamento até o evento. O cálculo é feito medindo as distâncias até a Quinta da Boa Vista, onde acontece o Festival, e o tipo de deslocamento, de carro, bicicleta ou transporte público./ Antonio Pita

 

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