Celina Pinage
Celina Pinage

Torneio mundial de ciência climática tem jovens brasileiros em destaque

Entre os finalistas da ClimateScience, oito são brasileiros; para chegar até a final, na COP-26, tiveram de propor soluções ao planeta

Leon Ferrari, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2021 | 05h00

Como promover o desenvolvimento sustentável dos países do Sudeste asiático? Essa foi a pergunta feita a jovens de 14 a 25 anos na etapa final da Olimpíada da ClimateScience, uma ONG global de educação em ciência climática, com sede no Reino Unido. Os autores das 50 melhores respostas, entre duplas e competidores individuais, foram convidados para uma cerimônia de premiação, ocorrida na terça, na Conferência do Clima (COP-26), em Glasgow. Dentre eles, oito são estudantes brasileiros; e dois times do País ficaram entre os dez primeiros colocados.

Realizado pela primeira vez, o torneio reuniu mais de 12 mil participantes, de 149 países. No total, 2.229 brasileiros participaram das quatro etapas classificatórias. Por cerca de dez meses, os jovens tiveram de pensar soluções para as mudanças climáticas e defendê-las frente a um júri de especialistas. A fase final teve como jurados grandes nomes da ciência, como Renate Christ, ex-Secretária do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). 

A premiação contou com uma fala de Jane Goodall, pioneira no estudo de chimpanzés e uma das maiores ativistas ambientais do mundo, que defendeu a urgência em lidar com as mudanças climáticas. 

Os jovens brasileiros também apontam que lidar com as causas e impactos das mudanças climáticas é urgente. E mais: que têm propostas concretas.  “A Olimpíada mostra que a juventude pensa de fato em soluções”, indica a gaúcha Carolina Oliveira Dias, de 21 anos, aluna de Ciência Política da Federal do Pampa (Unipampa). Sua dupla com o sergipano Frances Alves Andrade, de 26 anos (25 no início do torneio), mestrando em Ciências Florestais da Federal de Viçosa, entre os dez primeiros colocados ao propor um plano que foca na adaptação dos países do Sudeste Asiático às consequências das mudanças climáticas, mitigação das alterações e desenvolvimento sustentável.

Para Marina Camargo, de 17 anos, a premiação mostra que estão no “caminho certo”. Para chegar à final, ela colaborou com Rafael Cordani, também de 17 anos; ambos do terceiro ano do ensino médio no Colégio Santa Cruz, em São Paulo. O plano da dupla aborda energética e combate ao desmatamento.

Para a energia, eles pensam nas fontes hidrelétricas e solares, com painéis flutuantes (instalados em estações de tratamento de água ou na superfície de lagoas e lagos, por exemplo). Para o desmate, indicam que é preciso estimular novas técnicas agrícolas. Sem terem conseguido ir a Glasgow, os dois acompanharam a cerimônia de premiação por chamada de vídeo.

Para Bruna Serra Leão, de 16 anos, a Olimpíada prepara para o futuro. “Seremos os próximos a estar na COP resolvendo esses problemas”, afirma. Também do Colégio Santa Cruz, ela formou dupla com André Datz Abadi, de 16 anos, e, juntos, ficaram entre os 50 melhores.

Ao identificarem problemas de desigualdade de gênero, pobreza, desemprego, além dos impactos das mudanças climáticas, eles propuseram um programa de capacitação especializada para mulheres na região do Sudeste Asiático. “Elencamos algumas áreas específicas para a formação: Sanitária, pesquisa em agricultura e tecnologia do desenvolvimento. Além do incentivo à educação superior”, explica Abadi. 

Assim, eles acreditam que podem promover o desenvolvimento sustentável ao mesmo tempo em que intensificam a presença de mulheres no mercado de trabalho asiático. Com a formação, elas podem assumir esse protagonismo na sustentabilidade com os conhecimentos que receberiam. 

As primeiras colocações ficaram para jovens de Reino Unido, Vietnã, Canadá e de Hong Kong, que dividiram um prêmio de US$ 10 mil. A organização disse que o torneio do ano que vem está garantido. Em 2022, se pretende reunir 1 milhão de concorrentes.

 

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