Washington Alves/AE
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Custo de uma barraginha varia de R$ 80 a R$ 120

Com investimento mínimo, produtores do semiárido revertem situação de escassez de água em poucos anos

Karina Ninni e Marcelo Portela, Enviado Especial, ARAÇAÍ,

21 Março 2012 | 12h40

O ciclo de chuvas no semiárido brasileiro dura cerca de três meses - a pluviosidade média é de 400 a 800 mm nesse período. A cada ciclo, uma barraginha vai encher de quatro a cinco vezes. “A chuva, no semiárido, cai toda de uma vez.

Se você tem 600 mm de chuva em um ciclo, vão cair três pancadas fortes de 200mm. Isso provoca enchentes e a água é toda desperdiçada”, diz o Luciano Cordoval, da Embrapa. A ideia é não deixar uma gota se perder. Um produtor pode ter quantas barraginhas achar necessário.

Só no semiárido mineiro já existem 300 mil barraginhas, distribuídas em cerca de 500 municípios que abrangem 60% do Estado. O projeto também está disseminado em 30 municípios no Piauí e 50 no Ceará. Ao todo, já treinou mais de 100 mil produtores e 5 mil técnicos.

Desenvolvido em parceria com a Embrapa e a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped), o Barraginhas já teve patrocínio da Fundação Banco do Brasil (de 2004 a 2009). Desde 2008 é patrocinada pelo programa Desenvolvimento e Cidadania, da Petrobrás.

Custo baixo. O ponto alto do projeto é o baixo custo das barraginhas. Segundo Cordoval, uma barraginha custa entre R$ 80 e R$ 120 - que é o equivalente a uma hora de aluguel de uma máquina escavadeira.

Para a construção de 196 barraginhas que permitem a subsistência de 150 famílias da comunidade Fazendinha Pai José, na zona rural de Araçaí, na região central de Minas, foram gastos menos de R$ 24 mil.

A quantidade de barraginhas necessárias a cada área “depende do grau de erosão do terreno”, diz Cordoval.

Isso porque, segundo ele, áreas com maior incidência de enxurradas demandam mais represas, quantidade que vai sendo reduzida à medida que os terrenos ficam mais baixos. “Na parte baixa já se acumula a terra boa que desce com a enxurrada”, observou. Com isso, a necessidade de novas barraginhas é reduzida progressivamente, já que cada minirrepresa beneficia todo o terreno no entorno.

 Além do gasto com a construção, as barraginhas consomem muito pouco, já que praticamente não precisam de manutenção. “Às vezes, depois de alguns anos, alguma pode assorear”, diz Cordoval.

Manutenção. Na Fazendinha Pai José, por exemplo, são três anos de trabalho. As 96 barraginhas construídas no primeiro ano, de acordo com o agrônomo, fizeram o nível das cisternas passar de 2 para 6 metros.

No segundo ano, mais 90 barraginhas e a água chegou a dez metros. Nesse período, poucas precisaram de manutenção. “Teve produtor que reclamou porque fazíamos cinco barraginhas em um lote e só duas no dele. Mas não sabia que as cinco também são dele. Porque a água vai melhorar o solo todo. Esse pessoal passou de uma situação de escassez para abundância de água”, afirmou Cordoval.

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