Custo de hotel inviabiliza vinda de delegação europeia para Rio+20

BRASÍLIA - O Parlamento Europeu cancelou o envio de uma delegação de deputados para a Rio+20 por causa do alto custo de hospedagem. Dois dos parlamentares escalados inicialmente para integrar a comitiva, o alemão Matthias Groote, presidente da Comissão de Meio Ambiente do Parlamento, e o holandês Gerben-Jan Gerbrandy, confirmaram ontem, pelo microblog Twitter, a suspensão da viagem.

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2012 | 03h04

O cálculo feito pelo Parlamento Europeu era de que a viagem da comitiva, de 11 deputados, sairia por cerca de 100 mil euros, com um quarto de hotel custando 600 euros por pessoa por noite. "Os custos básicos são exorbitantes. Em tempos de crise, proibitivos", declarou Groote pelo Twitter. Gerbrandy se declarou decepcionado e criticou o País. "O Brasil deveria controlar os custos para evitar um grande fracasso." Em um texto que publicou em seu site, chegou a mencionar que uma ação do governo é ainda mais urgente tendo em vista a realização iminente da Copa e da Olimpíada no País.

A comitiva inicial do Parlamento Europeu já havia passado de 11 deputados para apenas 1, até que ontem foi cancelada. O orçamento inicial previsto pelos europeus também era 10 vezes menor: apenas 10 mil euros.

Os deputados europeus não são os primeiros a reavaliar sua participação na Rio +20. Diversos países diminuíram o tamanho das suas delegações para reduzir custos. Uma das reclamações mais frequentes é o fato de as reservas serem feitas apenas por pacotes completos de uma semana, quando muitos grupos vão ficar menos tempo.

Sistema. As reservas são feitas por meio de uma empresa contratada pelo governo brasileiro e as Nações Unidas para gerenciar a alocação de vagas. Dos cerca de 25 mil quartos de hotéis existentes no Rio, 5 mil foram bloqueados para a conferência e estão sendo administrados diretamente pela empresa contratada, todos de três a cinco estrelas. Até agora são esperadas 50 mil pessoas no evento principal, sem contar os paralelos.

O comitê organizador garante que é possível encontrar vagas fora do sistema oficial. Pessoas estariam se hospedando em Niterói e outros municípios.

O Brasil e as Nações Unidas são responsáveis pelo pagamento da hospedagem dos chefes de Estado e de governo convidados para a conferência. Além disso, os países são obrigados a pagar pelas suas delegações.

A falta de quartos em hotéis costuma ser comum em eventos internacionais de grande porte. O maior exemplo foi a Conferência das Partes sobre Meio Ambiente, em Copenhague, em 2009. A cidade, de pouco mais de meio milhão de habitantes, não tinha estrutura para receber os 45 mil credenciados. Parte ficou em uma cidade sueca, a uma hora de trem da capital.

Repercussão. Para o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a decisão dos europeus é "justificável"e "não faz sentido o Rio estar mais caro do que capitais europeias, onde a mão de obra é muito mais cara".

Em março, o Ministério da Justiça anunciou uma investigação para apurar as denúncias de que hotéis estariam cobrando preços abusivos em reservas para a conferência.

O economista Sérgio Besserman, que coordena o Grupo de Trabalho da prefeitura para a Rio+20, disse que comentaria a notícia como cidadão carioca.

"Há um entrave, mas nem tanto. Se eles precisavam de um pretexto para fugir da raia na Rio+20, seria preferível arranjar um melhor", declarou Besserman.

Procurada pela reportagem, a Associação Brasileira de Hotéis do Rio informou, por nota, que "não há informações que confirmem a desistência de uma delegação europeia em participar da Rio+20 em função do preço das diárias dos hotéis".

"Até o momento, nada foi informado nesse sentido", afirma a nota.

Procurado pela reportagem, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) no Rio, Alfredo Lopes, não foi localizado, assim como o secretário municipal de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello. / COLABOROU FELIPE WERNECK

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