Cultura da abundância de água é problema em Belém

Na capital paraense, somente 4,5% das residências são conectadas à rede de esgoto

Karina Ninni, Especial para O Estado

22 Março 2010 | 19h13

Em Belém (PA), a rede de abastecimento de água chega a 80% dos domicílios, mas apenas 4,5% estão conectados à rede coletora de esgoto. O restante joga seus dejetos diretamente nas 14 bacias que cortam a cidade.

 

“São esgotos a céu aberto. Onze dessas bacias deságuam no rio Guamá, que banha a cidade, e de onde vem 75% da água que é tratada para distribuição”, afirma a pesquisadora Vera Braz, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental no Pará.

 

Os dois lagos de tratamento de água da cidade ficam a poucos quilômetros do aterro sanitário

de Belém, o aterro do Aurá. "Há um igarapé ao lado do aterro, que corre também para o rio Guamá e leva muita sujeira para lá", revela o pesquisador Haroldo Bezerra, da UFPA.

 

Com a ampliação da estação de tratamento, a cidade está pulando de uma produção de 4m³ de água por segundo para 8 m³. “Ou seja: vai produzir mais do que o necessário”, diz Bezerra.

 

Acontece que a rede é comprometida. Em primeiro lugar, a pressão é pequena. "A água não tem força para chegar nas baixadas, onde mora a população pobre, mesmo nos domicílios servidos pela rede", explica Vera Braz. Outro problema é o tráfego intenso de veículos. "O tráfego arrebenta a rede, que não pode ser muito profunda, porque é tudo várzea”.

 

Essas particularidades, mais os “gatos” feitos na rede para furto, tornam perigoso o trajeto da água até a casa do cidadão. “Ela sai potável da estação de tratamento, mas no caminho, tem grandes chances de se contaminar”, diz Vera, acrescentando que a riqueza de água na Amazônia é, ao mesmo tempo, um bem

e um mal.

 

"A cultura da abundância é péssima. As pessoas acham que aquilo não vai acabar nunca, que não vai poluir nunca". Há alguns anos foi finalizado um projeto de macrodrenagem feito na bacia do rio Una, uma das mais comprometidas da cidade.

 

Mas, ao invés de conectar as casas à rede coletora de esgoto, o projeto construiu fossas nas residências. "Na questão do saneamento, o projeto deixou a desejar", critica Vera.

 

 

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