CSA terá de diminuir capacidade operacional em 70%

Medida vale até que sejam resolvidos os problemas que resultaram no lançamento de fuligem metálica no ar na zona oeste do Rio

Agência Brasil

30 Dezembro 2010 | 14h27

A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), que opera em fase de testes, terá que diminuir imediatamente, em 70%, a sua capacidade operacional, até que sejam resolvidos os problemas técnicos que resultaram no lançamento de fuligem metálica no ar no entorno da usina, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, no último fim de semana. A determinação é da Secretaria Estadual do Ambiente.

 

A empresa também deverá ser submetida a uma auditoria externa, conforme exigência do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e do Ministério Público Estadual, a ser feita por uma empresa de engenharia ligada ao setor siderúrgico.

 

De acordo com a secretária do Ambiente, Marilene Ramos, as novas medidas, no entanto, não livram a empresa de “multa severa”, cujo valor será fixado na próxima segunda-feira (3), em reunião do conselho diretor do Inea. Marilene Ramos também informou que caso não sejam feitos todos os ajustes necessários para impedir novos acidentes ambientais, a empresa pode não obter a licença de operação, documento que assegura o seu funcionamento definitivo, previsto para ser concedida em fevereiro.

 

A CSA também se comprometeu, em reunião entre seus representantes e técnicos da secretaria, na terça-feira, a indenizar as famílias cujas casas foram atingidas pela fuligem no último domingo (26), em valor ainda não definido, pelos gastos com a limpeza.

 

O ambientalista Sérgio Ricardo, fundador do Fórum Meio Ambiente da Baía de Sepetiba, considerou a indenização só com a limpeza “irrisória”. Segundo ele, a operação a plena carga da siderúrgica poderá trazer riscos ambientais graves, como a ocorrência de chuva ácida na região.

 

“O efeito disso é o ressecamento da vegetação, o que é muito grave, porque ali é região de Mata Atlântica, com várias unidades de preservação. Essa chuva vai precipitar sobre as residências mais próximas e também no município vizinho de Itaguaí, porque o deslocamento da massa de ar vai nessa direção. Pode haver uma Cubatão dentro do Rio de Janeiro”, afirmou.

 

Ele também informou que vai encaminhar formalmente ao Ministério Público, nas primeiras semanas de janeiro, a recomendação para que seja solicitada à Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) uma auditoria sobre as condições de saúde da população local para averiguar possíveis danos causados pela usina em função da poluição atmosférica.

 

“Se fosse uma empresa pequena, o controle seria mais fácil. Uma empresa desse porte tem uma carga poluidora muito grande e a Fiocruz é uma instituição isenta e independente, capaz de verificar a situação real. Essa poluição prejudica principalmente crianças e idosos”, disse.

 

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da CSA informou que apenas a Secretaria do Ambiente se manifestaria sobre o assunto.

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