Justin Lane/EFE
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Críticas ambientais são de quem 'não conhece' trabalho, diz ministra

Em entrevista ao 'Estado' antes de Cúpula do Clima, em Nova York, Izabella Teixeira não citou nomes, mas mirou discurso contra Marina

Rafael Moraes Moura, Enviado especial a Nova York de O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2014 | 10h00

NOVA YORK - Com a pauta ambiental levada ao centro do debate político, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse em entrevista ao Estado que as críticas feitas contra a gestão do governo Dilma Rousseff (PT) na área são de pessoas que "não conhecem" o trabalho executado nos últimos anos. Sem citar nomes, mas com a mira na candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, Izabella disse que se os críticos conhecessem mais o governo "talvez as críticas pudessem ser feitas em outro patamar".

"Não é que eu não aceite críticas, eu gosto de ter críticas com base na verdade", rebateu a ministra. Marina tem reforçado nos últimos dias o discurso contra a política ambiental da presidente Dilma Rousseff. No domingo passado, 21, a candidata do PSB afirmou que Dilma "é um retrocesso na agenda do desenvolvimento sustentável".

Após reunião com ambientalistas em Manaus, a ex-senadora disse que o "atual governo tem implantado medidas que só fazem andar para trás na questão ambiental".

No programa eleitoral exibido na televisão, Marina já acusou o governo Dilma de não ter dado prioridade para a questão do desmatamento. "O que temos hoje é um ministério que trabalha com todos, que busca o diálogo, a nossa carteira de investimentos é enorme", defendeu Izabella, que conversou com a reportagem em Nova York, onde é realizada nesta terça-feira, 22, a Cúpula do Clima.

O evento é um fórum das Nações Unidas que reunirá chefes de Estado do mundo inteiro para anunciar ações ambiciosas e iniciativas de impacto na área de mudanças climáticas.

Nesta segunda-feira, 21, o governo brasileiro confirmou oficialmente a presença da presidente Dilma Rousseff na cúpula. "Porque aí se fala que aumentou o desmatamento de 2012 para 2013, mas não fala que aumentou de 2007 para 2008 e que nós temos as quatro menores taxas (de desmatamento da série histórica). Eu gostaria que ela (Marina) falasse (sobre o crescimento entre 2007 e 2008)", disse Izabella.

"Os nossos números de combate ao desmatamento são imbatíveis. Não conhecem o trabalho que foi feito. Se conhecessem realmente, talvez as críticas fossem colocadas numa direção mais construtiva", declarou a ministra.

Segundo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a taxa de desmatamento na Amazônia Legal para o período de agosto de 2012 a julho de 2013 foi de 5.891 quilômetros quadrados, um aumento de 29% quando comparado o mesmo período anterior. No Maranhão e no Mato Grosso, o aumento foi de 50%.

O governo, no entanto, prefere trabalhar com a evolução da série histórica nos últimos dez anos, que aponta para uma redução de 79% nos dados de 2013, quando a comparação é feita com 2004.

"As pessoas dizem o que acham que podem dizer sem cotejar com a realidade. Dizer que o governo Dilma não apoia o meio ambiente? Como? Institucionalmente foi o governo que mais deu de concurso, de orçamento, infraestrutura, nunca tive um 'não' da presidenta. Faço questão de dizer isso", afirmou Izabella. "O Serviço Florestal Brasileiro foi criado pela ministra Marina Silva, e eu fui a primeira pessoa a fazer os concursos regionais, que eles queriam tanto. Foi o governo Dilma que fez."

Com a ascensão de Marina no cenário eleitoral, a presidente Dilma decidiu reforçar a agenda ambiental como forma de se contrapor à candidata do PSB. Marina foi convidada a participar da Cúpula do Clima em Nova York, mas avaliou que uma eventual viagem para os Estados Unidos prejudicaria a reta final de campanha.

Segundo o Estado apurou, a fala da presidente Dilma Rousseff na cúpula vai se concentrar nos investimentos do governo brasileiro em fontes limpas de energia, no combate ao desmatamento da Floresta Amazônica e na redução nas emissões de gás carbônico. 

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