Bruno Batista/VPR
Bruno Batista/VPR

Crítica de ONGs, gestão Bolsonaro tem relação amistosa com organizações evangélicas

Em 2020, entidades sem fins lucrativos receberam R$ 5,48 bilhões federais; pastor e egresso de ONG tem cargo no governo

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 05h00

BRASÍLIA - Apesar de apontar as ONGs como culpadas até por incêndios na Amazônia e planejar tutelá-las sob o argumento de defender os “interesses nacionais”, o governo Jair Bolsonaro mantém relação amistosa com algumas dessas organizações. Nos planos do Conselho Nacional da Amazônia Legal, inclusive, existe a ideia de “potencializar a bioeconomia” ao valorizar o “capital intelectual” de centros de pesquisa, universidades e ONGs.

Entidades sem fins lucrativos receberam R$ 5,48 bilhões do governo em 2020, segundo dados do Portal da Transparência. A maior beneficiada é a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que levou R$ 709,9 milhões. A terceira colocada é uma ONG: a Missão Evangélica Caiuá, que presta atendimento médico a comunidades indígenas e recebeu R$ 163 milhões. O governo federal terceiriza esses serviços para a entidade desde gestões do PT.

Em 2019, o Estadão encontrou postos de atendimento em situação considerada “deplorável” por funcionários contratados pela ONG em Dourados (MS), onde fica a sede da organização. Havia portas arrombadas e tapumes no lugar de janelas, uma única viatura sem combustível para atender as aldeias, falta de remédios e de equipamentos para exames.

Egresso da ONG americana Novas Tribos do Brasil (MNTB), acusada de proselitismo religioso e contato forçado com indígenas, o pastor e ex-missionário evangélico Ricardo Lopes Dias não foi barrado do governo Bolsonaro.

No começo do ano, Lopes Dias se tornou coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Fundação Nacional do Índio (Funai). A nomeação foi criticada e levada à Justiça, mas mantida pelo governo. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), uma das principais ONGs do setor, protestou.

À época, a entidade disse que o País ficaria sujeito a “crimes de genocídio e etnocídio”, que seriam cometidos contra “nossos parentes isolados e de recente contato”, caso se concretizasse a nomeação de alguém ligado ao “proselitismo religioso para o setor da Funai”.

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