Crise climática virá com emissões de carbono no futuro, diz estudo

Máquinas, usinas e veículos atuais não bastariam para levar emissões acima do nível considerado seguro

Reuters, Reuters

09 de setembro de 2010 | 18h37

O que aconteceria se todos os carros, caminhões e usinas termoelétricas que hoje emitem gases do efeito estufa não fossem substituídos ao fim de suas vidas úteis? A resposta é que o acúmulo de carbono iria ficar abaixo do nível que muitos cientistas consideram o limite para que surjam os efeitos catastróficos do aquecimento global, informam pesquisadores na revista Science.

 

Esse boicote universal não vai acontecer, mas a questão hipotética foi formulada para calcular quanto o planeta viria a se aquecer se as tecnologias que hoje geram gases do efeito estufa fossem substituídas por alternativas limpas.

 

Se todos os dispositivos fossem abandonados ao fim de suas vidas úteis - 40 anos para uma usina elétrica a carvão, 17 anos para um carro de passageiros americano de último modelo - a temperatura global subiria 1,3º C sobre ps níveis pré-industriais.

 

Isso corresponde a uma elevação do carbono atmosférico a 430 partes por milhão, ou ppm. A variação de temperatura ficaria abaixo dos 2º C considerados o limite perigoso, e que será atingido se o nível de CO2 na atmosfera chegar a 450 ppm ou mais.

 

A elevação perigosa provavelmente ocorrerá até o fim deste século, já que a probabilidade de parar toda a produção de veículos e indústrias que requerem combustíveis fósseis é zero, disse Steven Davis, da Instituição Carnegie, principal autor da pesquisa.

 

"Queríamos determinar, mesmo se nunca mais construíssemos outro aparelho emissor de carbono, se já estávamos além desses limites - 450 ppm, 2º C", explicou ele. "Foi uma certa surpresa ver quer, de fato, os aparelhos que existem hoje não nos levam além desses limites".

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