Criação de reserva privada colabora com biodiversidade

Ação que uniu pesquisadores e fazendeiros evitou extinção de primata

Giovana Girardi,

02 Julho 2008 | 23h58

A manutenção das áreas remanescentes da mata atlântica depende, em sua maioria, da boa vontade de proprietários rurais. Ao transformarem seus terrenos em Reservas Particulares do Patrimônio Nacional (RPPNs), eles estão conseguindo proteger a biodiversidade do bioma. Que o diga o macaco símbolo da mata atlântica, o mico-leão-dourado.   Biomanta ajuda a resgatar áreas degradadas Matas podem arder em fornos de siderúrgicas Projetos evitam o desperdício de água Bioma em pé rende US$ 20 bi 59% da vegetação sofreu transformação Referência mundial Semi-árido tem saída até contra a fome Unir sustentabilidade e preservação é desafio Área protegida beneficia a pesca Incentivo para conservar Florestas de eucalipto substituem campos Muito além da Amazônia  Galeria de fotos  Os biomas brasileiros "Cumprimento das legislação pelos proprietáros rurais não é o suficiente para preservação" "É mais fácil lutar por um ecossistema com a ajuda da sociedade" Na década de 70, a espécie se encontrava criticamente ameaçada de extinção, com somente 250 indivíduos vivendo na natureza, na região do município de Silva Jardim (RJ). Hoje são mais de 1,6 mil, como resultado de um trabalho que uniu pesquisadores e fazendeiros dispostos a salvar a espécie. Em meados da década de 80, um projeto de cientistas brasileiros, americanos e europeus começou a reproduzir o animal em zoológicos para depois soltá-lo na recém-criada Reserva Biológica Poço das Antas, em Silva Jardim, e em áreas particulares nos seus arredores.  "No começo, muitos fazendeiros tinham medo de que, se a espécie fosse detectada em suas terras, elas poderiam ser desapropriadas. Até o momento em que um líder da comunidade aceitou o desafio e conduziu os demais. Hoje trabalhamos com 33 propriedades parceiras", conta a diretora da Associação Mico-Leão-Dourado, Denise Rambaldi. Com o passar do tempo, eles não apenas abriram suas fazendas para a entrada dos micos como passaram a plantar corredores ecológicos para aumentar a área disponível para os animais. A última reintrodução de micos foi feita em 2000, mas agora já não resta muito mais espaço para aumentar as populações. "Nosso desafio agora é ampliar o hábitat disponível. Muitos remanescentes são menores do que o mínimo necessário para uma família viver, que é de 50 a 60 hectares de floresta bem conservada. Para isso precisamos mudar o uso da terra, plantar corredores em meio à pastagem, por exemplo", explica. A espécie só é considerada viável se houver pelo menos 2 mil indivíduos vivendo em 25 mil hectares.  "As técnicas de reprodução e reintrodução dos animais já estão bem dominadas, mas nosso problema agora é alcançar essa área", diz Denise. Segundo ela, juntando a área de Poço das Antas mais algumas reservas da união presentes na região e as RPPNs são cerca de 13 mil ha. Mas essas áreas estão desconectadas. Denise acredita que os corredores podem ampliar esse espaço.

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