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‘Crescimento sustentável é a única opção do Brasil’

A uma semana da Cúpula Mundial da ONU, presidente do IPCC diz que ambiente é vetor de desenvolvimento do País

Entrevista com

Rajendra Pachauri

Jamil Chade, Correspondente - O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2014 | 03h00

A única escolha do Brasil para o seu desenvolvimento econômico é proteger a Amazônia. O alerta é do prêmio Nobel da Paz Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Ele afirma que o cuidado com o meio ambiente é um importante vetor de crescimento para o País.


Amigo pessoal da candidata do PSB às eleições presidenciais, Marina Silva, o indiano se recusa a falar sobre as eleições no Brasil e a declarar seu apoio. Mas insiste que cabe aos brasileiros fazer “escolhas importantes”. Em entrevista, Pachauri falou ainda das novas revelações dos cientistas e das negociações sobre um acordo do clima. Na semana que vem, ele abre a Cúpula Mundial da ONU sobre Meio Ambiente, em Nova York. Leia os principais trechos da entrevista: 

O sr. está às vésperas de apresentar um novo informe do IPCC sobre a situação do clima no mundo. O que se pode esperar? 

Estamos completando a avaliação e já mandamos aos governos. O que precisamos ver é para onde o mundo vai se não agirmos. Podemos ter mais conflitos, mais refugiados, mais impacto na agricultura. As mudanças climáticas podem aumentar os conflitos porque afetará a qualidade da água em certas regiões, afetará a produção de alimentos. Tudo indica que esse impacto pode ser mais rápido que antecipamos. 

O que vai sugerir o informe? 

Vamos apontar ações sobre o que pode ser feito. Será um documento prático sobre o que pode ser realizado. O custo disso até 2030 seria de 1,7% do consumo mundial. Ou 0,6% do PIB mundial por ano. Não é um preço alto a ser pago. 

Mas quais medidas concretas podem reverter esse cenário? 

São essencialmente medidas de adaptação. Precisamos de mais restrições e zoneamento de oceanos para que pessoas não sejam colocadas em risco. A proteção de recifes que evitam inundações. No caso das chuvas, uma melhor infraestrutura para garantir que não haja um acúmulo de água em poucas horas. Nas regiões costeiras, precisamos de uma drenagem nova. Em alguns locais, essas obras já têm cem anos. Além disso, muitas dessas medidas de adaptação podem ter um impacto social positivo, reduzindo os níveis de poluição e até gerando mais empregos. Hoje, no mundo, 1,3 bilhão de pessoas não têm acesso ainda a energia elétrica. O desenvolvimento de fontes renováveis e tecnologia poderia solucionar parte desse problema. 

Como o sr. vê o debate ambiental hoje no Brasil e confrontos entre ambientalistas e aqueles que defendem que não haja entraves para o desenvolvimento econômico? 

O Brasil não precisa escolher entre proteger a Amazônia ou se desenvolver. O crescimento sustentável é a chave e a única opção. O Brasil tem uma grande riqueza natural e, ao mesmo tempo, tem toda a tecnologia e capacidade. Se tem alguém no mundo que pode fechar essa equação entre crescimento e sustentabilidade, esse país é o Brasil. 

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