Cosipa lidera emissões de CO2 em São Paulo, diz governo

A Companhia SiderúrgicaPaulista (Cosipa) é a primeira da lista das cem maioresempresas emissoras de gases geradores de efeito estufa doEstado de São Paulo, divulgada nesta quarta-feira pelaSecretaria Estadual do Meio Ambiente.O levantamento foi apresentado pelo secretário FranciscoGraziano Neto, durante reunião do Conselho Estadual do MeioAmbiente (Consema), na sede da secretaria em São Paulo. A siderúrgica é responsável pela emissão de 6,35 milhões detoneladas de CO2 (dióxido de carbono de origem fóssil) por ano.As refinarias Replan, Revap e RPBC, do grupo Petrobras,aparecem na sequência. A Replan, que produz diversos derivadosdo petróleo, emite, segundo dados da secretaria, 3,12 milhõestoneladas de CO2 por ano. A Petroquímica União (PqU) é a quinta colocada com 1,46milhão de toneladas do gás por ano. As primeiras oito colocadasno ranking respondem por 18,26 milhões de toneladas por ano, ou63 por cento do total. Em nota divulgada no final da tarde, a Cosipa afirmou que"mundialmente, o processo siderúrgico gera emissão de CO2 e asindústrias vêm trabalhando para otimizar a sua matrizenergética".A Cosipa disse ainda que "tem atuado pró-ativamente no controlee redução das emissões" e que investiu 336 milhões de dólares,nos últimos dez anos, em gestão e equipamentos de controleambiental. Procurada pela Reuters, a assessoria de imprensa daPetrobras afirmou "que a empresa ainda não tomou conhecimentode todas as informações contidas no relatório e vai sepronunciar assim que possível". E a PqU não quis se pronunciarimediatamente. Para realização do levantamento foram selecionadas 371empresas com maior potencial de emissão do gás. Destas 329responderam voluntariamente a uma avaliação aplicada pelasecretaria a partir de critérios do Intergovernamental Panel onClimate Change (IPCC), considerando o consumo de combustível ea produção industrial informados pela empresa. A proposta de realização do inventário surgiu por sugestãodo ex-secretário de Meio Ambiente José Goldemberg. "A lista nãoé um instrumento de punição, mas dá condições de engajar aCetesb em negociações com esses emissores para acordosvoluntários", disse Goldemberg nesta manhã. Nelson Reis, representante da Federação da Indústrias doEstado de São Paulo (Fiesp), declarou que o setor tem sidoproativo na questão das mudanças climáticas. "O fornecimento voluntário das informações é uma mostra datransparência que a indústria trata do tema", disse. Segundo Graziano, o investimento em eficiência energética eem novos processos de tecnologia de produção são caminhos queas indústrias deverão começar a seguir para reduzir asemissões. "Imagino que no setor empresarial, ninguém mais duvida deque essa é a agenda", disse. "Na competição global, é fazer oufazer. Na Europa, o consumidor já escolhe o carro considerandoa emissão de CO2." O CO2, muito confundido com o CO (monóxido de carbono), nãoé considerado um poluente. Seus efeitos estão relacionados aoaquecimento global. A indústria é responsável por um terço daemissão do gás. Os outros dois terços têm origem em setorescomo comércio, transporte, energia, em aterros sanitários edomicílios. Segundo Marcelo Minelli, diretor de engenharia, tecnologiae qualidade ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, estásendo produzido um levantamento para identificar os maioresemissores nos outros setores, que deve levar de dez a 12 mesespara ser concluído.

CLÁUDIA FONTOURA, REUTERS

23 de abril de 2008 | 18h20

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