Hakon Mosvold Larsen/EFE
Hakon Mosvold Larsen/EFE

Corte de recursos da Noruega ameaça novos projetos na Amazônia

O Estado apurou que, num total, o Brasil receberá no máximo US$ 35 milhões em 2017, um valor muito menor do que a média de US$ 110 milhões enviados anualmente

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2017 | 07h43

OSLO – Diante de um corte inédito de apoio financeiro da Noruega ao Brasil por conta do desmatamento florestal, a parcela de recursos que será enviada ao BNDES em 2017 por Oslo não será suficiente sequer para atender a todos os novos projetos em consideração pelo governo para o Fundo da Amazônia. 

O Estado apurou que, num total, o Brasil receberá no máximo US$ 35 milhões em 2017, um valor muito menor do que a média de US$ 110 milhões enviados anualmente. Os dados são do Ministério do Meio Ambiente da Noruega.

O corte, que chega a R$ 250 milhões, terá um impacto real nos programas ambientais e de preservação. 

O Fundo, que é administrado pelo BNDES, tem até agora em 2017 apenas três projetos aprovados. Mas outros 19 estavam sob análise ou em consultas. No total, para que eles fossem aprovados, o fundo precisaria desembolsar US$ 175 milhões, cinco vezes o valor que a Noruega repassará ao Brasil.  

Para calcular o repasse de apenas US$ 35 milhões, a Noruega considerou a taxa de desmatamento. Quanto maior ela for, menor o dinheiro liberado.

Por um acordo de 2008, a Noruega destinou já US$ 1,1 bilhão ao Brasil, para um fundo no BNDES. Mas outros US$ 500 milhões ainda seriam enviados até 2020. No início da semana, ao Estado, o BNDES indicou que os programas de preservação poderiam ser mantidos por um ano, mesmo que houvesse uma interrupção total da liberação de novas verbas.

O banco diz que metade do dinheiro que tem do Fundo da Amazônia já está comprometido e que o restante ainda poderia ser usado. 

Mas fontes dentro do Ministério do Meio Ambiente admitem que tal lógica vale apenas para aqueles programas já aprovados, já que muitos deles ainda precisam receber parcelas que são liberadas anualmente. 

O risco seria para as novas iniciativas que, agora, podem ser engavetadas até que os recursos voltem.

Os problemas, porém, podem ser ainda mais profundos nos próximos anos, se o desmatamento continuar. O governo noruegues indicou que, depois de já reduzir o dinheiro destinado ao Brasil em 2017 para ajudar na preservação ambiental, o pagamento por simplesmente desaparecer em 2018 ou 2019 se o País não atingir as metas de redução de desmatamento. 

O alerta foi feito pela primeira-ministra, Erna Solberg, depois de uma reunião na sexta-feira com o presidente Michel Temer. “Se eles (brasileiros não atingirem as metas, ele (o repasse) será reduzido ou não haverá pagamentos”, disse a chefe-de-governo em Oslo à agência local NTB. 

Lars Lovold, presidente da ong Rainforest Foundation Norway, admitiu que o corte de dinheiro “é um risco”. “Mas isso aqui é uma cooperação. O que adianta se governo brasileiro quer minar os resultados. Tem de ter coerente”, disse.

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