Line K Bay - Australian Institute of Marine Science
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Corais se adaptam ao aquecimento global, segundo estudo

Pesquisa da Science revela que certos corais têm variações genéticas que garantem sobrevivência em águas mais quentes

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

25 Junho 2015 | 18h33

Um grupo internacional de cientistas demonstrou que algumas populações de corais já desenvolveram as variantes genéticas necessárias para tolerar oceanos com águas mais quentes - e o ser humano pode ajudar a disseminar esses genes. A descoberta pode ter importantes impactos para vários corais ameaçados pelas mudanças climáticas, de acordo com os autores do estudo, publicado nesta quinta-feira, 25, na revista Science.

A espécie Acropora millepora, um coral construtor de recifes, consegue passar sua tolerância ao calor para as gerações seguintes por meio do DNA, de acordo com os cientistas da Universidade do Texas em Austin, da Universidade Estadual do Oregon (ambas nos Estados Unidos) e do Instituto Australiano de Ciências Marinhas. Segundo eles, o estudo demonstra pela primeira vez que misturar e combinar corais de diferentes latitudes pode estimular a sobrevivência dos recifes.

Os pesquisadores cruzaram corais de áreas naturalmente mais quentes, como a Grande Barreira de Corais da Austrália, com corais de regiões que ficam 480 quilômetros ao sul dali, em águas cerca de 2 graus Celsius mais frias. Com isso, eles demonstraram que as larvas descendentes de corais do norte tinham uma chance 10 vezes maior de sobreviver ao estresse provocado pelo calor, em comparação com as larvas descendentes de corais das águas mais frias do sul. 

Usando ferramentas genômicas, os cientistas identificaram os processos biológicos responsáveis pela tolerância ao calor e demonstraram que ela poderia evoluir rapidamente com base em uma variação genética que já existe. Os resultados da pesquisa indicam que o homem poderia contribuir ativamente para a dispersão desses genes, a fim de garantir a preservação dos corais à medida que as temperaturas globais se elevam, segundo um dos autores do estudo, Mikhail Matz, professor da Universidade do Texas em Austin.

"Nosso estudo mostrou que os corais não precisam esperar pelo aparecimento de novas mutações. A ação para evitar a extinção dos corais pode começar com algo tão simples como um intercâmbio de imigração de corais, a fim de disseminar as variantes genéticas que já existem. As larvas de corais podem se mover pelos oceanos naturalmente, mas os humanos também poderiam contribuir, mudando corais adultos de lugar para deflagrar o processo", afirmou Matz.

Em todo o planeta, recifes de corais têm sido intensamente danificados pelo aumento da temperatura das águas, segundo os autores do estudo. O branqueamento de corais - um processo que pode causar a morte em larga escala de corais, por causa da perda de uma alga da qual eles dependem para se alimentar - tem sido ligado por cientistas ao aquecimento das águas. Alguns corais, no entanto, têm uma tolerância mais alta a temperaturas elevadas, embora até agora ninguém houvesse explicado a razão desse padrão diferente de adaptação.

Os corais construtores de recifes de espécies do norte do Oceano Pacífico e do Mar do Caribe são semelhantes aos utilizados no estudo. Nesses locais, segundo os autores do estudo, os corais também poderão se beneficiar dos esforços de conservação com base na propagação dos genes dos corais tolerantes ao calor. "Essa é uma ocasião para esperança e otimismo em relação aos recifes de corais e à vida marinha que ali floresce", disse Matz.

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